SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025
A colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) tem sido cada vez mais usada no contexto das doenças hepáticas, biliares e pancreáticas. Dentre suas complicações, identifique aquela que ocorre com mais frequência:
Pancreatite aguda = Complicação mais frequente da CPRE (incidência de 2% a 10%).
A pancreatite é a intercorrência mais comum após a CPRE, resultante de trauma mecânico na papila, injeção excessiva de contraste ou lesão térmica por eletrocautério.
A Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE) evoluiu de um método diagnóstico para uma ferramenta predominantemente terapêutica, utilizada para desobstrução biliar, retirada de cálculos e drenagem de estenoses. No entanto, por ser um procedimento invasivo que manipula a papila duodenal maior, apresenta riscos inerentes significativos. A pancreatite pós-CPRE é definida pelo surgimento de dor abdominal típica associada a uma elevação da amilase ou lipase (pelo menos 3 vezes o limite superior) 24 horas após o exame. Além da pancreatite, outras complicações importantes incluem o sangramento (especialmente após papilotomia), a colangite (devido à drenagem incompleta de via biliar infectada) e a perfuração duodenal, que embora rara, possui alta morbimortalidade.
A pancreatite pós-CPRE ocorre em cerca de 2% a 10% dos procedimentos em pacientes não selecionados, podendo chegar a 25% em grupos de alto risco. Embora a maioria dos casos seja leve a moderada, com necessidade de internação curta para hidratação e analgesia, cerca de 10% desses casos podem evoluir para pancreatite grave, com necrose pancreática, falência orgânica e risco de óbito.
Os fatores de risco dividem-se em relacionados ao paciente e ao procedimento. Pacientes jovens, sexo feminino, suspeita de disfunção do esfíncter de Oddi e ausência de dilatação das vias biliares aumentam o risco. Quanto ao procedimento, canulação difícil (mais de 10 tentativas), injeção de contraste no ducto pancreático e realização de pré-corte (papilotomia de acesso) são fatores que elevam significativamente a chance de pancreatite.
As principais estratégias preventivas incluem a seleção criteriosa dos pacientes, o uso de supositórios de indometacina ou diclofenaco via retal imediatamente antes ou após o procedimento (que reduz o risco em até 50%) e a hidratação venosa vigorosa com Ringer Lactato. Em casos de alto risco, a colocação de um stent pancreático temporário é recomendada para garantir a drenagem do ducto e evitar a hipertensão ductal.
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