Pancreatite Crônica: Cirurgia de Beger para Alívio da Dor

IHOA - Instituto e Hospital Oftalmológico de Anápolis (GO) — Prova 2022

Enunciado

Um paciente de 54 anos, etilista de 1 garrafa de destilado por dia durante 30 anos, apresenta quadro de dor abdominal constante há 5 anos. Há 1 ano, relata piora dos sintomas, apresentando perda de 3kg nesse período. Aumentou o emprego de analgésicos, porém com resposta parcial. Ao exame físico, encontrava-se com índice de massa corpórea = 23, abdome plano e flácido e dor na região epigástrica à palpação profunda. Realizou tomografia de abdome, que mostrou dilatação do ducto pancreático principal, além de calcificações junto à cabeça pancreática, que se encontrava aumentada de tamanho. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) o paciente é portador de neoplasia pancreática e deve ser submetido a gastroduodenopancreatectomia
  2. B) a pancreatografia endoscópica é o tratamento de escolha para aliviar a dor do paciente por meio da descompressão ductal
  3. C) deve ser solicitada biópsia guiada por ultrassonografia transparietal para comprovação da doença
  4. D) a melhor maneira de tratar definitivamente o paciente é a cirurgia de Beger para remoção do tecido pancreático comprometido pela doença

Pérola Clínica

Pancreatite crônica alcoólica com dor refratária + ducto dilatado + calcificações → Cirurgia de Beger (descompressão ductal).

Resumo-Chave

Em pacientes com pancreatite crônica de etiologia alcoólica, dor abdominal refratária ao tratamento clínico e evidência de dilatação do ducto pancreático principal com calcificações, a cirurgia de Beger é uma opção eficaz para aliviar a dor através da descompressão ductal e ressecção da cabeça pancreática.

Contexto Educacional

A pancreatite crônica é uma doença inflamatória progressiva do pâncreas, caracterizada por destruição do parênquima glandular e fibrose, levando à insuficiência pancreática exócrina e endócrina. O etilismo crônico é a causa mais comum, respondendo por cerca de 70-80% dos casos. A dor abdominal crônica é o sintoma mais prevalente e debilitante, muitas vezes refratária ao tratamento clínico, impactando significativamente a qualidade de vida do paciente. A fisiopatologia envolve a ativação prematura de enzimas pancreáticas dentro do próprio órgão, levando à autodigestão e inflamação crônica. Com o tempo, ocorre fibrose, calcificações e dilatação do ducto pancreático, que podem causar obstrução e aumentar a dor. O diagnóstico é feito pela combinação da história clínica (etilismo, dor crônica, perda de peso), exames laboratoriais (amilase/lipase podem ser normais) e, principalmente, exames de imagem como a tomografia computadorizada ou ressonância magnética, que evidenciam as alterações morfológicas do pâncreas. O tratamento da pancreatite crônica é multifacetado, incluindo abstinência alcoólica, manejo da dor (analgésicos, enzimas pancreáticas), e tratamento das complicações. Para pacientes com dor refratária e achados de dilatação do ducto pancreático principal e/ou massa inflamatória na cabeça do pâncreas, a cirurgia é uma opção importante. A cirurgia de Beger é uma técnica de descompressão ductal com ressecção da cabeça pancreática que preserva o duodeno, sendo eficaz no alívio da dor e na melhoria da qualidade de vida em casos selecionados de pancreatite crônica.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para pancreatite crônica?

O diagnóstico de pancreatite crônica é baseado na história clínica (dor abdominal crônica, perda de peso, esteatorreia), fatores de risco (etilismo), e achados de imagem como calcificações pancreáticas, dilatação do ducto pancreático principal e atrofia glandular. Exames de função pancreática também podem ser úteis.

Quando a cirurgia é indicada para pancreatite crônica?

A cirurgia é indicada principalmente para o alívio da dor abdominal crônica e refratária ao tratamento clínico, especialmente em pacientes com dilatação do ducto pancreático principal e/ou massa inflamatória na cabeça do pâncreas. Outras indicações incluem complicações como icterícia obstrutiva ou estenose duodenal.

Qual a diferença entre a cirurgia de Beger e a cirurgia de Whipple?

A cirurgia de Beger (duodenopancreatectomia com preservação do duodeno) é uma técnica de ressecção da cabeça pancreática com descompressão ductal, indicada para pancreatite crônica com massa na cabeça e ducto dilatado. A cirurgia de Whipple (gastroduodenopancreatectomia) é uma ressecção mais extensa, geralmente realizada para neoplasias da cabeça do pâncreas ou pancreatite crônica com suspeita de malignidade.

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