MedEvo Simulado — Prova 2026
Um paciente de 54 anos, com histórico de etilismo pesado crônico e tabagismo (40 maços-ano), apresenta-se ao ambulatório de cirurgia com queixa de dor epigástrica lancinante com irradiação para o dorso, de caráter contínuo, que piorou significativamente nos últimos seis meses e tornou-se refratária ao uso de analgésicos e opioides em altas doses. Relata perda ponderal de 14 kg no período e presença de fezes gordurosas e fétidas. Ao exame físico, apresenta-se emagrecido, com icterícia leve (2+/4+). Exames laboratoriais revelam bilirrubina total de 5,8 mg/dL (predomínio direto), glicemia de jejum de 185 mg/dL e CA 19-9 dentro da normalidade. Uma tomografia computadorizada de abdome com protocolo para pâncreas demonstra pâncreas com dimensões reduzidas e calcificações parenquimatosas difusas, ducto pancreático principal (Wirsung) dilatado com maior calibre de 9 mm e uma massa inflamatória na cabeça do pâncreas medindo 4,5 cm, que determina compressão extrínseca da porção intrapancreática do colédoco. A colangiorressonância confirma a dilatação biliar a montante. A conduta cirúrgica mais adequada para o controle da dor e das complicações apresentadas é:
Massa em cabeça + Wirsung dilatado na pancreatite crônica → Procedimento de Frey.
O Procedimento de Frey combina a descompressão ductal com a ressecção local da cabeça do pâncreas, sendo ideal quando há massa inflamatória e dilatação do Wirsung.
A pancreatite crônica é caracterizada por dor abdominal debilitante e perda progressiva das funções endócrina e exócrina. O manejo cirúrgico foca no alívio da dor refratária aos analgésicos. Quando a anatomia revela um ducto pancreático principal dilatado associado a uma massa inflamatória na cabeça do pâncreas, as técnicas puramente descompressivas costumam falhar no controle álgico. O Procedimento de Frey surge como uma técnica híbrida eficaz, removendo o 'marcapasso' da dor na cabeça pancreática enquanto drena o sistema ductal longitudinalmente. Esta abordagem apresenta excelentes resultados funcionais, preserva o trânsito gastroduodenal e oferece controle álgico superior a longo prazo em comparação com drenagens simples ou ressecções extensas em casos benignos.
O procedimento de Partington-Rochelle é uma pancreatojejunostomia lateral simples, indicada apenas para descompressão de ductos dilatados (>6mm) sem massas associadas. Já o procedimento de Frey associa essa descompressão à ressecção local (escavação) da cabeça do pâncreas, sendo a escolha quando existe uma massa inflamatória cefálica causando sintomas ou compressão de estruturas adjacentes como o colédoco ou duodeno.
A pancreatoduodenectomia (Whipple) é reservada para casos onde há suspeita de malignidade associada à massa na cabeça do pâncreas ou quando a anatomia local impede a preservação do duodeno. Na pancreatite crônica benigna com massa inflamatória, o Frey é preferível por preservar o parênquima pancreático e ter menor morbidade a longo prazo.
A presença de icterícia sugere compressão do colédoco intrapancreático. Tanto o Whipple quanto o Frey (se a escavação for profunda o suficiente para descompressão biliar) podem tratar a icterícia. A escolha depende da suspeita de câncer e da extensão da doença inflamatória, priorizando técnicas que resolvam a obstrução biliar e a dor pancreática simultaneamente.
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