Pancreatite Crônica: Diagnóstico e Manejo da Dor

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025

Enunciado

Homem de 42 anos é internado para investigação de episódios recorrentes de dor epigástrica de forte intensidade com irradiação para o dorso, com diversas avaliações em serviços de pronto-atendimento, sem diagnóstico conclusivo. Ultrassonografia abdominal sem sinais de litíase ou de dilatação de vias biliares. Relata uso diário de bebida alcoólica desde os 16 anos. Considerando o caso apresentado, assinale a alternativa que indica, respectivamente, o exame complementar e a conduta terapêutica adequados.

Alternativas

  1. A) Tomografia computadorizada de abdome; administração de amitriptilina.
  2. B) Colangiopancreatografia endoscópica retrógrada; administração de gabapentina.
  3. C) Tomografia computadorizada de abdome; administração de ácido ursodesoxicólico.
  4. D) Colangiopancreatografia endoscópica retrógrada; administração de enzimas pancreáticas.

Pérola Clínica

Dor epigástrica crônica irradiando dorso + Etilismo + USG normal → Pancreatite Crônica. TC abdome + Amitriptilina/Gabapentina para dor neuropática.

Resumo-Chave

Paciente com dor epigástrica crônica e recorrente, irradiando para o dorso, e histórico de etilismo pesado, mesmo com ultrassonografia abdominal normal, deve levantar forte suspeita de pancreatite crônica. A tomografia computadorizada de abdome é o exame de escolha para avaliar o pâncreas, e o manejo da dor crônica frequentemente envolve neuromoduladores como amitriptilina ou gabapentina.

Contexto Educacional

A pancreatite crônica é uma doença inflamatória progressiva do pâncreas que resulta em destruição irreversível do parênquima, levando à insuficiência pancreática exócrina e endócrina. O etilismo crônico é a causa mais comum, como sugerido no caso do paciente de 42 anos com histórico de uso diário de álcool e dor epigástrica recorrente com irradiação para o dorso. O diagnóstico da pancreatite crônica pode ser desafiador, especialmente em fases iniciais. A ultrassonografia abdominal pode ser normal, como no caso apresentado, pois é menos sensível para detectar as alterações parenquimatosas e ductais precoces. A tomografia computadorizada (TC) de abdome é o exame de imagem de escolha, capaz de identificar calcificações pancreáticas, dilatação do ducto pancreático principal, atrofia glandular e pseudocistos, que são achados característicos da doença. O tratamento da pancreatite crônica é complexo e foca no alívio da dor, manejo da insuficiência pancreática (com enzimas pancreáticas e insulina, se necessário) e cessação do álcool. A dor crônica é um sintoma debilitante e, devido à componente neuropática, frequentemente requer o uso de analgésicos adjuvantes como antidepressivos tricíclicos (ex: amitriptilina) ou anticonvulsivantes (ex: gabapentina), que atuam na modulação da dor neuropática. A CPRE e a cirurgia são opções para casos selecionados com obstrução ductal ou dor refratária.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados da pancreatite crônica na tomografia computadorizada?

A TC de abdome pode revelar calcificações pancreáticas, dilatação dos ductos pancreáticos, atrofia do parênquima pancreático, pseudocistos e alterações inflamatórias peripancreáticas, que são características da pancreatite crônica.

Por que a dor na pancreatite crônica é tão difícil de controlar?

A dor na pancreatite crônica é multifatorial, envolvendo inflamação, isquemia, obstrução ductal e, crucialmente, neuropatia pancreática. Esta última componente explica a necessidade de medicamentos com ação neuromoduladora, como amitriptilina ou gabapentina.

Qual o papel da CPRE no diagnóstico e tratamento da pancreatite crônica?

A CPRE é um exame invasivo que pode ser usado para diagnosticar alterações ductais na pancreatite crônica e, terapeuticamente, para remover cálculos ductais, dilatar estenoses ou colocar stents, aliviando a obstrução e a dor em casos selecionados.

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