MedEvo Simulado — Prova 2026
Antônio, 52 anos, tabagista e etilista crônico pesado, procura o ambulatório com queixa de dor epigástrica em faixa, de forte intensidade, que piora após as refeições e o obriga a adotar a posição genupeitoral para alívio parcial. Relata perda ponderal de 10 kg no último semestre e hábito intestinal caracterizado por fezes volumosas, gordurosas e de odor fétido. Ao exame físico, apresenta-se emagrecido, com discreta icterícia (bilirrubina total de 2,4 mg/dL, às custas de direta). Os exames de imagem (tomografia computadorizada de abdome) revelam pâncreas com calcificações difusas, ducto pancreático principal dilatado com maior calibre de 9 mm e uma massa inflamatória de 4,5 cm localizada na cabeça do pâncreas, comprimindo o colédoco distal. A conduta cirúrgica mais adequada para o tratamento da dor e da massa cefálica neste paciente é:
Massa cefálica + ducto dilatado na pancreatite crônica → Cirurgia de Frey (Resecção + Drenagem).
A Cirurgia de Frey é a escolha ideal quando a pancreatite crônica apresenta dilatação ductal associada a uma massa inflamatória na cabeça do pâncreas, unindo drenagem e resecção local.
A pancreatite crônica é uma doença fibroinflamatória progressiva que resulta em dano permanente ao pâncreas. O manejo cirúrgico é indicado principalmente para o controle da dor intratável, obstrução de órgãos adjacentes (colédoco, duodeno) ou suspeita de câncer. A escolha da técnica depende da anatomia ductal e da presença de massas. A Cirurgia de Frey é um marco na cirurgia pancreática por oferecer um equilíbrio entre a drenagem ductal e a resecção do tecido fibrótico cefálico, preservando o duodeno e mantendo melhor função pancreática residual que a ressecção formal.
A Cirurgia de Partington-Rochelle é uma pancreatojejunostomia lateral longitudinal, ou seja, um procedimento puramente descompressivo indicado para pacientes com ducto pancreático principal dilatado (geralmente > 6-7 mm) mas sem massas inflamatórias na cabeça do pâncreas. Já a Cirurgia de Frey combina a descompressão do ducto principal com a resecção local (escavação) da cabeça do pâncreas. Ela é superior quando há uma 'massa' inflamatória cefálica que atua como marca-passo da dor, pois a simples drenagem ductal não costuma ser suficiente para o alívio sintomático nesses casos específicos, onde a fibrose e a inflamação na cabeça do órgão são predominantes.
A cirurgia de Whipple (ou sua variante com preservação pilórica) é reservada para casos de pancreatite crônica onde há uma suspeita forte de malignidade associada na cabeça do pâncreas que não pode ser excluída, ou quando há complicações locais graves que impedem técnicas mais conservadoras, como a estenose duodenal intratável. Embora eficaz no controle da dor, o Whipple possui maior morbimortalidade e taxas mais elevadas de insuficiência endócrina e exócrina no pós-operatório em comparação com procedimentos de preservação parenquimatosa como a Cirurgia de Frey ou Beger, sendo menos preferida em etiologias puramente benignas e inflamatórias.
A esteatorreia e a perda ponderal são manifestações da insuficiência pancreática exócrina. Na pancreatite crônica, a destruição progressiva do parênquima acinar e a obstrução ductal por cálculos ou fibrose reduzem a secreção de enzimas digestivas, especialmente a lipase. A má absorção de gorduras ocorre quando a secreção de lipase cai abaixo de 10% do normal. Isso resulta em fezes volumosas, oleosas e fétidas. A perda de peso é multifatorial: decorre da má absorção de nutrientes, do medo de comer (sitofobia) devido à dor pós-prandial intensa e do estado inflamatório crônico/catabólico em que o paciente se encontra.
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