INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024
Um paciente com 57 anos, queixa-se, em consulta, de dor abdominal difusa intermitente, há 3 meses, que piora com ingestão de alimentos, associada a emagrecimento de 9 quilogramas nesse período, além de diarreia com gotículas de gordura nas fezes. É tabagista e etilista há 30 anos. Ao exame físico, apresenta dor abdominal difusa que piora à palpação profunda em região mesogástrica, sem outras particularidades.Com base no quadro acima, quais são, respectivamente, o diagnóstico e a conduta para o paciente?
Dor abdominal crônica + esteatorreia + emagrecimento + etilismo/tabagismo → Pancreatite Crônica.
A pancreatite crônica é caracterizada por dor abdominal persistente e sinais de insuficiência pancreática exócrina (esteatorreia, emagrecimento) e endócrina (diabetes), frequentemente associada a etilismo e tabagismo. O manejo foca em controle da dor, reposição enzimática e suporte nutricional.
A pancreatite crônica é uma doença inflamatória progressiva do pâncreas, caracterizada pela destruição irreversível do parênquima pancreático, levando à fibrose e à perda das funções exócrina e endócrina. A etiologia mais comum é o alcoolismo crônico, mas outras causas incluem tabagismo, hipertrigliceridemia, causas genéticas e autoimunes. É uma condição importante na prática clínica devido à sua morbidade e impacto na qualidade de vida. A fisiopatologia envolve a ativação prematura de enzimas digestivas dentro do pâncreas, resultando em autodigestão e inflamação crônica. O diagnóstico baseia-se na tríade de dor abdominal crônica, sinais de má absorção (esteatorreia, emagrecimento) e evidência de dano pancreático em exames de imagem (TC, RM, CPRE). A história de etilismo e tabagismo é um forte indicativo. O tratamento da pancreatite crônica é principalmente de suporte, visando o alívio da dor, a correção da má absorção com reposição de enzimas pancreáticas e o manejo do diabetes. A cessação do álcool e tabaco é fundamental para retardar a progressão da doença. A orientação dietética, com refeições menores e com baixo teor de gordura, também é importante.
Os principais sintomas incluem dor abdominal crônica, geralmente epigástrica e irradiando para o dorso, que piora após as refeições, além de esteatorreia (fezes gordurosas), emagrecimento e, em fases avançadas, diabetes mellitus.
O alcoolismo crônico é a principal causa de pancreatite crônica, enquanto o tabagismo é um fator de risco independente e potencializa o dano pancreático induzido pelo álcool, acelerando a progressão da doença.
O tratamento da dor é multifacetado, incluindo analgesia com anti-inflamatórios não esteroides, opioides em casos graves, e enzimas pancreáticas para reduzir a estimulação pancreática. Modificações dietéticas e cessação do álcool são cruciais.
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