Pancreatite Crônica: Diagnóstico e Sinais Chave

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025

Enunciado

Homem de 58 anos deu entrada no pronto-socorro com dor epigástrica irradiada para as costas, iniciada há 2 horas, progressiva, pós-prandial, acompanhada de náuseas, vômitos e sudorese. Relata episódios semelhantes no último ano, que melhoraram com uso de analgésico. Tabagista ativo, alcoolista de 8 doses de destilado por dia há 33 anos, nega comorbidades. Exame físico: corado, acianótico, anictérico, sudoreico, fácies de dor, agitado. Índice de massa corporal de 23 kg/m²; pressão arterial de 150 x 90 mmHg; frequência cardíaca de 74 bpm; frequência respiratória de 18 irpm; temperatura axilar de 37 °C. Abdome globoso, distendido, timpânico, peristalse presente, doloroso à palpação do epigástrio e hipocôndrio esquerdo. Os exames laboratoriais apresentam os seguintes resultados: | Exame | Resultado | Valor de referência | |---|---|---| | Hematócrito | 46% | 36 a 46% | | Hemoglobina | 15,0 g/dL | 12,0 a 15,0 g/dL | | Leucócitos | 12.000/mm³ | 4.000 a 10.000/mm³ | | Glicose | 120 mg/dL | 70 a 99 mg/dL | | Bilirrubina total | 1,2 mg/dL | 0,3 a 1,3 mg/dL | | Ureia | 38 mg/dL | 15 a 40 mg/dL | | Cálcio | 8,9 mg/dL | 8,7 a 10,2 mg/dL | | Amilase | 35 U/L | 20 a 96 U/L | | Lipase | 12 U/L | 3 a 43 U/L | | Fosfatase alcalina | 81 U/L | 33 a 96 U/L | | LDH | 127 U/L | 100 a 190 U/L | | TGO | 36 U/L | 5 a 40 U/L | Qual é o provável diagnóstico?

Alternativas

  1. A) Colangite aguda.
  2. B) Colecistite aguda.
  3. C) Doença ulcerosa péptica.
  4. D) Pancreatite crônica.

Pérola Clínica

Pancreatite crônica: dor epigástrica irradiada para costas em alcoolista crônico, mesmo com amilase/lipase normais, é diagnóstico provável.

Resumo-Chave

A pancreatite crônica, frequentemente associada ao alcoolismo, pode apresentar dor epigástrica irradiada para as costas. É crucial lembrar que, devido à destruição progressiva do parênquima pancreático, os níveis de amilase e lipase podem ser normais durante as exacerbações, diferenciando-a da pancreatite aguda.

Contexto Educacional

A pancreatite crônica é uma doença inflamatória progressiva do pâncreas, caracterizada por destruição irreversível do parênquima, fibrose e perda das funções exócrina e endócrina. O alcoolismo crônico é a principal etiologia, sendo crucial para o reconhecimento em questões de residência. A dor abdominal é o sintoma mais comum, tipicamente epigástrica e com irradiação dorsal, frequentemente desencadeada ou exacerbada após refeições. O diagnóstico da pancreatite crônica baseia-se na história clínica, fatores de risco (especialmente alcoolismo), exames de imagem (tomografia computadorizada, ressonância magnética, colangiopancreatografia por ressonância magnética - CPRE) que podem mostrar calcificações, dilatação ductal ou atrofia glandular. Um ponto-chave é que, ao contrário da pancreatite aguda, os níveis séricos de amilase e lipase podem ser normais ou apenas discretamente elevados durante as exacerbações, devido à extensa destruição do tecido glandular. A leucocitose e a hiperglicemia podem estar presentes, indicando inflamação e disfunção endócrina, respectivamente. O manejo visa o alívio da dor, tratamento da insuficiência pancreática (com enzimas pancreáticas e controle do diabetes) e cessação dos fatores etiológicos, como o álcool. A compreensão da fisiopatologia e das particularidades laboratoriais da pancreatite crônica é fundamental para o diagnóstico correto e para evitar erros comuns, como descartar a condição pela normalidade das enzimas pancreáticas, um conceito frequentemente testado em provas.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para pancreatite crônica?

O alcoolismo crônico é a causa mais comum de pancreatite crônica, respondendo por cerca de 70-80% dos casos. Outros fatores incluem tabagismo, hipertrigliceridemia, fibrose cística, doenças autoimunes e obstrução do ducto pancreático.

Por que a amilase e lipase podem estar normais em uma exacerbação de pancreatite crônica?

Na pancreatite crônica, há uma destruição progressiva e fibrose do parênquima pancreático. Em estágios avançados, a capacidade do pâncreas de produzir enzimas digestivas (amilase e lipase) pode estar tão comprometida que, mesmo durante uma exacerbação, os níveis séricos dessas enzimas permanecem normais, ao contrário da pancreatite aguda.

Como diferenciar a dor da pancreatite crônica de outras causas de dor epigástrica?

A dor da pancreatite crônica é tipicamente epigástrica, intensa, persistente, e frequentemente irradia para as costas, podendo ser aliviada pela flexão do tronco para frente. É comum ser pós-prandial e associada a náuseas e vômitos. A história de alcoolismo crônico e episódios prévios semelhantes são fortes indicativos.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo