SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2020
Homem, 40 anos de idade, procura atendimento médico com queixa de dor abdominal em epigástrio, irradiada para dorso, há cerca de dois anos. Neste período, refere emagrecimento de 15Kg e diarreia pastosa, cerca de 3 evacuações ao dia. De antecedentes, refere tabagismo 15 anos/maço e etilismo de 110g etanol, diariamente. Ao exame, apresenta-se emagrecido, em regular estado geral, descorado +1/4+, hidratado, acianótico, anictérico, afebril. FC: 90bpm, PA: 100X70mmHg, Peso 50Kg. Ausculta sem alterações. Abdome escavado, com ruídos hidroaéreos presentes, timpânico, flácido, com dor discreta à palpação em epigástrio. Frente ao quadro descrito, cite as duas principais medidas terapêuticas farmacológicas (classes das drogas) que devem ser instituídas nesse momento.
Pancreatite crônica por etilismo → reposição de enzimas pancreáticas e analgesia para dor.
O quadro clínico de dor epigástrica crônica irradiada para o dorso, associado a etilismo, emagrecimento e diarreia pastosa (esteatorreia), é altamente sugestivo de pancreatite crônica com insuficiência pancreática exócrina. As duas principais classes de drogas são as enzimas pancreáticas para má absorção e analgésicos para controle da dor.
A pancreatite crônica é uma doença inflamatória progressiva do pâncreas, caracterizada por destruição irreversível do parênquima e fibrose, levando à perda das funções exócrina e endócrina. O etilismo crônico é a causa mais comum. O quadro clínico típico inclui dor abdominal crônica, emagrecimento e esteatorreia, que resultam da insuficiência pancreática exócrina. O diagnóstico é baseado na história clínica, exames de imagem (TC, RM, CPRE) e testes de função pancreática. A dor é um sintoma debilitante e a má absorção contribui para a desnutrição e deficiências vitamínicas. O manejo terapêutico visa aliviar a dor, corrigir a má absorção e prevenir complicações. As duas principais classes de drogas são os analgésicos, que devem ser escalonados conforme a intensidade da dor, e as enzimas pancreáticas de reposição, administradas com as refeições para otimizar a digestão e absorção de nutrientes. Além disso, é fundamental a cessação do etilismo e tabagismo, e suporte nutricional adequado.
Os principais sintomas incluem esteatorreia (fezes gordurosas, volumosas e fétidas), emagrecimento, distensão abdominal, flatulência e deficiências vitamínicas lipossolúveis devido à má absorção.
A reposição de enzimas pancreáticas é crucial para compensar a deficiência de enzimas digestivas produzidas pelo pâncreas danificado, melhorando a digestão de gorduras, proteínas e carboidratos, e reduzindo a esteatorreia e a desnutrição.
O manejo da dor pode variar de analgésicos não opioides (AINEs, paracetamol) a opioides, neuromoduladores, bloqueios nervosos e, em casos refratários, procedimentos endoscópicos ou cirúrgicos para descompressão ductal.
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