USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025
Homem, 53 anos, com histórico de pancreatite crônica associada ao consumo abusivo de bebida alcoólica, refere aumento da frequência de evacuações nos últimos 9 meses, fezes de aspecto gorduroso e com mau cheiro. Exame físico: emagrecido, sinais vitais normais, sem outras alterações. Qual deficiência de vitamina mais provavelmente pode ser encontrada nesse paciente?
Pancreatite crônica com esteatorreia → malabsorção de gorduras = deficiência de vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K).
A pancreatite crônica, especialmente a associada ao alcoolismo, frequentemente leva à insuficiência pancreática exócrina. Isso resulta em má digestão de gorduras (esteatorreia), o que compromete a absorção das vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K), tornando a deficiência de vitamina A uma alta probabilidade.
A pancreatite crônica é uma doença inflamatória progressiva do pâncreas que resulta em destruição irreversível do parênquima pancreático, levando à insuficiência pancreática exócrina e/ou endócrina. O alcoolismo é a causa mais comum em adultos. A insuficiência pancreática exócrina se manifesta principalmente como má digestão e má absorção, sendo a esteatorreia (presença de gordura nas fezes) o sintoma mais característico devido à deficiência de lipase. A má absorção de gorduras na pancreatite crônica tem uma consequência direta na absorção das vitaminas lipossolúveis: A, D, E e K. Essas vitaminas necessitam de gordura e sais biliares para serem absorvidas no intestino delgado. Com a esteatorreia, a absorção dessas vitaminas é severamente comprometida, levando a deficiências. A vitamina A, em particular, é frequentemente deficiente, e seus sintomas incluem cegueira noturna e xeroftalmia. O manejo da pancreatite crônica com insuficiência exócrina envolve a abstinência alcoólica, controle da dor e, crucialmente, a reposição de enzimas pancreáticas (REP) para melhorar a digestão e absorção. A suplementação de vitaminas lipossolúveis é também essencial para corrigir as deficiências e prevenir suas complicações. O acompanhamento nutricional é fundamental para otimizar o estado nutricional do paciente.
A pancreatite crônica leva à destruição progressiva do tecido pancreático, resultando em insuficiência pancreática exócrina, ou seja, produção insuficiente de enzimas digestivas, especialmente lipase. A falta de lipase impede a digestão adequada das gorduras, causando esteatorreia (fezes gordurosas) e, consequentemente, a má absorção das vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K) que dependem da gordura para serem absorvidas.
A deficiência de vitamina A pode manifestar-se com cegueira noturna (nictalopia), xeroftalmia (olhos secos), ceratomalácia, manchas de Bitot, e em casos graves, cegueira permanente. Também pode haver comprometimento da imunidade e da diferenciação celular.
O tratamento principal para a insuficiência pancreática exócrina é a reposição de enzimas pancreáticas (REP) com as refeições. Isso melhora a digestão de gorduras e proteínas, reduz a esteatorreia, alivia os sintomas e melhora o estado nutricional do paciente, incluindo a absorção de vitaminas lipossolúveis.
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