SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2021
Paciente do sexo masculino, 60 anos de idade, chega ao hospital com quadro de dor abdominal localizada em região periumbilical, acompanhado de náuseas, vômitos e diarreia. Relata que teve alguns episódios (4 ou 5) semelhantes nos últimos dois anos mas que sempre melhorou após medicamentos. Refere que tem ido muito ao banheiro urinar e tem tido muita sede. Sem outras queixas abdominais no momento. A filha do paciente informa que o mesmo abusa de bebidas alcóolicas e chegou a ficar internado em clínica para recuperação do alcoolismo. Ao exame físico o paciente apresenta regular estado geral, hipocorado, eupneico, afebril, 60 kg de peso e 1,75 m de estatura, frequência cardíaca de 70 bpm e PA 120 x 80 mmhg, abdômen plano, doloroso a palpação em mesogástrio, sem massa palpável. Assinale a alternativa correta em relação ao caso em questão.
Pancreatite crônica alcoólica → dor recorrente, sintomas DM, USG endoscópico é o mais sensível para diagnóstico.
O paciente apresenta história de alcoolismo, episódios recorrentes de dor abdominal e sintomas sugestivos de diabetes, o que é altamente indicativo de pancreatite crônica. Embora o gabarito aponte para pancreatite aguda e CPRE, a CPRE é mais para causas biliares ou terapêuticas, e o USG endoscópico é o exame mais sensível para o diagnóstico de pancreatite crônica.
A pancreatite crônica é uma doença inflamatória progressiva do pâncreas que resulta em destruição irreversível do parênquima, levando à insuficiência exócrina e/ou endócrina. O alcoolismo é a principal etiologia, e a apresentação clínica é frequentemente de dor abdominal recorrente, esteatorreia e diabetes mellitus. O diagnóstico é desafiador e baseia-se na história clínica, exames laboratoriais e, principalmente, em exames de imagem. No caso apresentado, a história de dor abdominal recorrente, alcoolismo e sintomas de diabetes (polidipsia, poliúria) são fortes indicadores de pancreatite crônica. Embora a questão e o gabarito sugiram pancreatite aguda e CPRE, é crucial entender que a CPRE é um procedimento invasivo com riscos, geralmente reservado para indicações terapêuticas ou diagnósticas específicas (como obstrução biliar ou ductal) e não como exame de primeira linha para o diagnóstico de pancreatite em geral. O ultrassom endoscópico (USE) é considerado o método mais sensível para detectar alterações precoces da pancreatite crônica. Para residentes, é fundamental diferenciar pancreatite aguda de crônica e conhecer as indicações corretas de cada método diagnóstico e terapêutico. O manejo da pancreatite crônica envolve controle da dor, reposição enzimática, tratamento do diabetes e, crucialmente, a abstinência alcoólica. A compreensão das limitações e riscos de procedimentos como a CPRE é vital para uma prática clínica segura e eficaz.
A pancreatite crônica se manifesta principalmente por dor abdominal recorrente, geralmente em mesogástrio ou epigástrio, que pode irradiar para o dorso. Outros sintomas incluem esteatorreia (devido à insuficiência exócrina) e sintomas de diabetes mellitus (devido à insuficiência endócrina), como polidipsia e poliúria.
O alcoolismo é a causa mais comum de pancreatite crônica. O consumo excessivo e prolongado de álcool leva a danos repetidos no pâncreas, resultando em inflamação crônica, fibrose e destruição progressiva do tecido pancreático, comprometendo suas funções exócrina e endócrina.
A CPRE é indicada principalmente para fins terapêuticos, como remoção de cálculos biliares ou pancreáticos, dilatação de estenoses ductais ou colocação de stents. Seu uso diagnóstico primário é limitado devido ao risco de complicações, sendo preferíveis exames não invasivos como a colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM) ou ultrassom endoscópico.
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