INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025
Homem de 50 anos apresentou-se ao serviço de emergência após episódio de hematêmese. Relata história de 3 meses de dor epigástrica e diarreia fétida, amarelada, pastosa, com algumas gotas de gordura, e perda de peso significativa. Histórico de ingestão de 500 mL de bebida alcoólica destilada, por dia, durante 15 anos. Exame físico: paciente emagrecido, índice de massa corporal de 17 kg/m²; temperatura axilar de 36,5 °C; mucosas hipocoradas ++/4+; hidratadas; ictéricas +/4+; aparelho respiratório sem alterações; aparelho cardiovascular com bulhas rítmicas e hiperfonéticas; frequência cardíaca de 87 bpm; pressão arterial de 120 x 80 mmHg; abdome pouco distendido, com sensibilidade à palpação epigástrica e ruídos hidroaéreos normais. Os resultados dos testes laboratoriais, incluindo lipase sérica e testes de função hepática, estavam dentro dos limites normais. A tomografia computadorizada do abdome mostrou extensa calcificação do pâncreas, sem evidência de edema pancreático ou presença de líquido peripancreático. A endoscopia digestiva alta revelou enantema em antro. De acordo com o quadro clínico, o exame físico e os exames complementares, qual é a conduta mais adequada?
Pancreatite crônica alcoólica com esteatorreia e perda de peso → reposição enzimática + abstinência alcoólica.
O quadro clínico de dor epigástrica crônica, esteatorreia e perda de peso em paciente com histórico de etilismo e calcificações pancreáticas é clássico de pancreatite crônica com insuficiência pancreática exócrina. A conduta envolve a interrupção do álcool e a reposição de enzimas pancreáticas para tratar a má absorção.
A pancreatite crônica é uma condição inflamatória progressiva do pâncreas que leva à destruição irreversível do parênquima, resultando em insuficiência pancreática exócrina e/ou endócrina. A etiologia alcoólica é a mais comum em adultos, e a doença é prevalente em pacientes com histórico de etilismo pesado. O reconhecimento precoce é fundamental para o manejo adequado e prevenção de complicações. A fisiopatologia envolve a inflamação crônica que leva à fibrose e calcificação do pâncreas, comprometendo a produção de enzimas digestivas e hormônios. O diagnóstico é baseado na história clínica (dor abdominal crônica, esteatorreia, perda de peso), exames de imagem (TC ou RM mostrando calcificações, dilatação ductal) e testes de função pancreática. A lipase e amilase podem estar normais em fases avançadas, como no caso, devido à extensa destruição glandular. O tratamento da pancreatite crônica é multifacetado e visa aliviar a dor, corrigir a má absorção e prevenir complicações. A interrupção completa da ingestão de álcool é a medida mais importante para retardar a progressão da doença. A reposição de enzimas pancreáticas (pancreatina) é essencial para tratar a esteatorreia e a perda de peso, melhorando a digestão e absorção de nutrientes. O manejo da dor crônica também é um pilar do tratamento, muitas vezes exigindo analgésicos e, em casos refratários, procedimentos endoscópicos ou cirúrgicos.
Os principais sinais incluem esteatorreia (fezes gordurosas, fétidas, volumosas), perda de peso inexplicada, dor abdominal crônica e deficiências vitamínicas lipossolúveis devido à má absorção.
Na pancreatite crônica avançada, há destruição significativa do parênquima pancreático, resultando em poucas células funcionantes para liberar enzimas, como a lipase, na corrente sanguínea durante uma exacerbação.
A abstinência alcoólica é crucial para prevenir a progressão da doença, reduzir a frequência e intensidade das crises de dor e melhorar o prognóstico a longo prazo, sendo a medida mais importante.
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