Pancreatite Crônica: Diagnóstico e Complicações Nutricionais

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem, 57 anos de idade, com queixa de dor abdominal epigástrica com irradiação para o dorso, com duração de aproximadamente 30 minutos após as refeições. Tais sintomas acontecem há aproximadamente 1 ano, de caráter intermitente e duram alguns dias, remitem e o paciente fica assintomático por semanas. Recentemente, relatou início de diarreia gordurosa e perda de peso de aproximadamente 10% do peso corporal, parestesia em mãos e quimoses. Nega perda de apetite, mas relata mudanças de hábito alimentar, principalmente pela dor. Nega outros sintomas e comorbidades. Relata ingestão de aproximadamente 1 litro de aguardente por dia. Ao exame clínico: emagrecimento e com desconforto à palpação de hipocôndrio direito, sem outras alterações. Aponte a alternativa que contém o diagnóstico e uma possível complicação para o caso descrito.

Alternativas

  1. A) Pancreatite crônica e redução da absorção de vitaminas lipossolúveis.
  2. B) Pancreatite aguda recorrente e pseudocistos pancreáticos.
  3. C) Neoplasia de cabeça de pâncreas e obstrução de vias biliares.
  4. D) Tumor cístico seroso e calcificações em raio de sol.

Pérola Clínica

Pancreatite crônica: dor epigástrica, esteatorreia, perda peso, alcoolismo → deficiência vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K).

Resumo-Chave

A pancreatite crônica, frequentemente associada ao alcoolismo, leva à destruição progressiva do pâncreas. A insuficiência pancreática exócrina resulta em má digestão e má absorção, manifestando-se como esteatorreia e perda de peso, além de deficiências de vitaminas lipossolúveis e B12.

Contexto Educacional

A pancreatite crônica é uma doença inflamatória progressiva do pâncreas que resulta em destruição irreversível do parênquima, levando à insuficiência pancreática exócrina e/ou endócrina. Sua etiologia mais comum é o alcoolismo crônico, mas outras causas incluem fatores genéticos, autoimunes e obstrutivos. É crucial para o residente reconhecer os sinais e sintomas para um diagnóstico precoce e manejo adequado. A fisiopatologia envolve a ativação prematura de enzimas digestivas dentro do pâncreas, causando autodigestão e fibrose. Clinicamente, os pacientes apresentam dor abdominal crônica, esteatorreia devido à má absorção de gorduras (insuficiência exócrina), perda de peso e, eventualmente, diabetes mellitus (insuficiência endócrina). O diagnóstico é baseado na história clínica, exames de imagem como TC ou RM, e testes de função pancreática. O tratamento visa o alívio da dor, a reposição enzimática pancreática para tratar a má absorção e o controle do diabetes. A abstinência alcoólica é fundamental. As complicações incluem pseudocistos, obstrução biliar, trombose de veia esplênica e, como no caso, deficiências de vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K) e B12, que podem se manifestar como parestesia e quimoses, exigindo suplementação.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da pancreatite crônica?

A pancreatite crônica manifesta-se com dor abdominal epigástrica crônica ou recorrente, esteatorreia (diarreia gordurosa), perda de peso e, em fases avançadas, sinais de deficiência de vitaminas lipossolúveis.

Como o alcoolismo contribui para a pancreatite crônica?

O consumo crônico e excessivo de álcool é a principal causa de pancreatite crônica, levando à inflamação e fibrose progressiva do pâncreas, com destruição das células exócrinas e endócrinas.

Quais as complicações nutricionais da pancreatite crônica?

As principais complicações nutricionais incluem má absorção de gorduras e vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K), resultando em esteatorreia, perda de peso, osteopenia/osteoporose, e distúrbios de coagulação.

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