UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2025
Paciente masculino, 56 anos, etilista crônico desde 20 anos de idade, ingere cerca de 1 litro de destilado ao dia, vem a consulta relatando estar apresentando nos últimos 3 meses dor em andar superior de abdome, diária, de moderada intensidade, associada a diarreia, alternando fezes pastosas e aquosas, cerca de 5 episódios ao dia e emagrecimento de 4 kg nesse período. Sobre o diagnóstico pancreatite crônica podemos afirmar:
Calcificações pancreáticas na TC = Diagnóstico definitivo de Pancreatite Crônica.
A TC de abdome é o exame inicial de escolha devido à sua alta sensibilidade para detectar calcificações e alterações ductais em fases avançadas da pancreatite crônica.
A pancreatite crônica é uma doença inflamatória progressiva caracterizada por fibrose irreversível do parênquima. O etilismo crônico é a principal etiologia em adultos. Clinicamente, manifesta-se pela tríade clássica: dor abdominal, diabetes mellitus e esteatorreia, embora a tríade completa ocorra em menos de um terço dos pacientes. O diagnóstico baseia-se na combinação de quadro clínico compatível e alterações morfológicas em exames de imagem. A abordagem diagnóstica prioriza a visualização de alterações estruturais. A TC detecta calcificações em até 80% dos casos avançados. O ultrassom endoscópico (USE) é reservado para casos com alta suspeita clínica e exames de imagem convencionais normais, sendo o método mais sensível para alterações parenquimatosas e ductais mínimas. O manejo foca no controle da dor, cessação do tabagismo/etilismo e reposição de enzimas pancreáticas.
A Tomografia Computadorizada (TC) de abdome é considerada o método de escolha inicial. Ela possui alta sensibilidade para identificar os marcos diagnósticos da doença, como calcificações parenquimatosas, dilatação do ducto pancreático principal (ducto de Wirsung) e atrofia do parênquima. Embora a ressonância com colangiopancreatografia (CPRM) seja superior para avaliar alterações ductais precoces, a TC permanece mais acessível e eficaz na detecção de calcificações.
A elastase fecal-1 é um teste indireto da função pancreática exócrina. Sua principal utilidade é confirmar a insuficiência exócrina em pacientes com diagnóstico já estabelecido ou suspeita clínica moderada. No entanto, sua sensibilidade é baixa em estágios iniciais da pancreatite crônica, sendo confiável apenas quando há destruição glandular severa (perda de mais de 90% da função), o que limita seu papel como ferramenta de triagem precoce.
Não. O Sudan III é um teste qualitativo que identifica a presença de gordura nas fezes, mas possui baixa sensibilidade e especificidade. Ele pode ser usado como triagem rápida, mas o padrão-ouro para quantificação de gordura fecal e diagnóstico definitivo de esteatorreia é o balanço de gordura fecal de 72 horas (coeficiente de absorção de gordura), que é mais complexo de realizar na prática clínica.
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