UNIRV - Universidade de Rio Verde (GO) — Prova 2020
G.G.F, 42 anos, é admitido em enfermaria de clínica médica relatando dor abdominal intensa, que piora no período pós-prandial, em cólica, com irradiação para o dorso, associado a diarreia e perda ponderal de 15 kg nos últimos 6 meses. Exames laboratoriais mostram glicemia de jejum: 400 mg/dl, colesterol total: 300 mg/dl, HDL-colesterol: 44 mg/dl, triglicerídeo: 440 mg/dl, ureia: 20 mg/dl (VR: 10 a 40), creatinina: 0,9 mg/dl (VR: 0,6 a 1,4), elastase fecal < 100 ug por grama de fezes e aumento dos níveis de transferrina deficiente em carboidrato. Diante do caso, qual o provável diagnóstico?
Dor abdominal crônica + diarreia + perda peso + diabetes + elastase fecal ↓ → Pancreatite Crônica.
A pancreatite crônica é caracterizada pela destruição progressiva do pâncreas, levando à insuficiência exócrina (má absorção, diarreia, perda de peso) e endócrina (diabetes mellitus). A dor abdominal pós-prandial com irradiação para o dorso é um sintoma clássico. A elastase fecal é um exame sensível para insuficiência pancreática exócrina.
A pancreatite crônica é uma doença inflamatória progressiva do pâncreas que resulta na destruição irreversível do parênquima pancreático, levando à fibrose e à perda gradual das funções exócrina e endócrina. A etiologia mais comum é o alcoolismo crônico, mas outras causas incluem fatores genéticos, autoimunes, obstrutivos e metabólicos. A doença é caracterizada por episódios recorrentes de dor abdominal e, com a progressão, pelo desenvolvimento de má absorção e diabetes mellitus. O quadro clínico típico inclui dor abdominal intensa, em cólica, que piora após as refeições e irradia para o dorso. A insuficiência pancreática exócrina manifesta-se por diarreia crônica, esteatorreia (fezes gordurosas e volumosas) e perda ponderal significativa devido à má digestão de gorduras e proteínas. A insuficiência endócrina leva ao diabetes mellitus pancreatogênico, que pode ser de difícil controle. O diagnóstico é feito pela combinação de achados clínicos, exames de imagem (TC, RM, CPRE) e testes de função pancreática, como a dosagem de elastase fecal, que é um marcador sensível para insuficiência exócrina. O manejo da pancreatite crônica é complexo e visa o alívio da dor, a correção da má absorção com enzimas pancreáticas e o controle do diabetes. A cessação do consumo de álcool é fundamental. Para residentes, é crucial reconhecer a tríade clássica (dor, esteatorreia, diabetes) e a importância dos exames complementares para um diagnóstico e tratamento precoces, melhorando a qualidade de vida do paciente e prevenindo complicações.
Os principais sintomas incluem dor abdominal crônica, geralmente pós-prandial e irradiando para o dorso, diarreia crônica com esteatorreia (fezes gordurosas), perda de peso e, em estágios avançados, diabetes mellitus devido à insuficiência endócrina.
A elastase fecal é um marcador sensível e específico da função pancreática exócrina. Níveis baixos (<200 µg/g de fezes, e <100 µg/g indicando insuficiência grave) confirmam a insuficiência pancreática exócrina, que é uma característica da pancreatite crônica.
A principal causa é o alcoolismo crônico. Outras causas incluem pancreatite autoimune, fibrose cística, obstrução do ducto pancreático, hipertrigliceridemia grave e pancreatite idiopática.
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