Tratamento da Pancreatite Crônica: Endoscopia vs Cirurgia

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025

Enunciado

Em relação ao tratamento da pancreatite crônica, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) Nos casos refratários à terapia endoscópica que possuem dilatação ductal importante (>7mm), a descompressão cirúrgica torna-se uma opção contraindicada pelos altos níveis de insucesso e complicações tardias devendo-se optar pelo tratamento clínico da dor, esteatorreia e diabetes.
  2. B) A cirurgia mais empregada é o procedimento de Partigton Rochelle que é uma pancreatectomia corpo caudal associada a esplenectomia. O controle da dor no pósoperatório chega à 80% dos casos.
  3. C) O controle da esteatorreia (síndrome disabsortiva) é tratada exclusivamente por técnicas cirúrgicas. A reposição oral de enzimas pancreáticas associada a administração de IBP para o bloqueio da secreção ácida potencializando a ação das enzimas não mostrou resultados adequados e satisfatórios.
  4. D) O sucesso do procedimento de Puestow modificado chega a apenas 10% dos casos sendo atualmente contra-indicado. A grande maioria dos pacientes apresentam recidivas da dor nos primeiros três a cinco meses pós-intervenção.
  5. E) Para pacientes com dilatação ductal secundária à cálculos ou estenoses a abordagem inicial é realizada com a tentativa endoscópica (CPRE) de retirada de cálculos e dilatação das estenoses. Stents ductais podem ser colocados nos sítios de estenose e comumente a papilotomia é associada ao procedimento.

Pérola Clínica

Pancreatite crônica com dilatação ductal + cálculos → 1ª linha: Endoscopia (CPRE + Papilotomia + Stent).

Resumo-Chave

O manejo da pancreatite crônica prioriza a descompressão ductal endoscópica inicial; a cirurgia é reservada para casos refratários com anatomia favorável (ducto > 7mm).

Contexto Educacional

A pancreatite crônica é uma doença inflamatória progressiva que resulta em fibrose irreversível do parênquima pancreático, levando a dor crônica incapacitante e insuficiências endócrina (diabetes) e exócrina (esteatorreia). O manejo é multidisciplinar, focando no controle da dor, cessação de etilismo/tabagismo e suporte nutricional. A estratégia 'step-up' começa com analgesia escalonada e manejo clínico. Se houver obstrução ductal, a endoscopia intervencionista é a primeira escolha. A cirurgia de derivação (Puestow) ou ressecção (Whipple ou Beger, se houver massa em cabeça de pâncreas) é considerada quando a terapia endoscópica falha ou não é tecnicamente viável, visando preservar o máximo de função pancreática possível.

Perguntas Frequentes

Qual a abordagem inicial para cálculos e estenoses na pancreatite crônica?

A abordagem inicial para pacientes com dilatação ductal secundária a cálculos ou estenoses é preferencialmente endoscópica via CPRE (Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica). O procedimento visa a retirada de cálculos, dilatação de estenoses e, frequentemente, a colocação de stents ductais associada à papilotomia pancreática para facilitar a drenagem.

Quando a cirurgia de Puestow (Partington-Rochelle) é indicada?

A cirurgia de Puestow modificada (Partington-Rochelle) é indicada em casos de pancreatite crônica com dor intratável e dilatação importante do ducto pancreático principal (geralmente > 7 mm). É uma pancreatojejunostomia lateral que promove a descompressão do sistema ductal sem a necessidade de ressecção de parênquima, apresentando bons índices de controle da dor (70-80%).

Como deve ser tratada a esteatorreia na pancreatite crônica?

A esteatorreia decorrente da insuficiência exócrina é tratada clinicamente com a reposição oral de enzimas pancreáticas (lipase, protease, amilase) durante as refeições. Para otimizar a ação das enzimas e evitar sua inativação pelo ácido gástrico, frequentemente associa-se o uso de Inibidores de Bomba de Prótons (IBP).

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