SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2026
Um homem de 62 anos, etilista crônico, procura atendimento devido à queixa de epigastralgia esporádica e recorrente. Refere que os sintomas já persistem por anos, mas que nunca se preocupou em procurar atendimento, até que recentemente começou a perder peso. Refere que os episódios de dor costumam ser de forte intensidade, tipo queimação, com irradiação para o dorso e, geralmente, ocorrem após as refeições. A perda de peso foi de 15 kg em 03 meses. Observa ainda que apresenta fezes volumosas e malcheirosas e que “boiam na água”, sendo visíveis gotículas de gordura ao redor. Nega náuseas ou vômitos. Os exames laboratoriais revelam glicemia de jejum de 152 mg/dL, hemoglobina de 11,2 g/dL, bilirrubina total de 0,6 mg/dL e deficiência de vitamina D. O ultrassom de abdome mostrou que o pâncreas tem dimensões reduzidas, parênquima heterogêneo, com focos esparsos de calcificação e dilatação do ducto pancreático principal. Com base no quadro clínico descrito, assinale a alternativa correta:
Tríade clássica da pancreatite crônica: Calcificações + Esteatorreia + Diabetes Mellitus.
A pancreatite crônica resulta em fibrose irreversível do parênquima, levando à perda progressiva das funções exócrina (esteatorreia) e endócrina (diabetes).
A pancreatite crônica é uma doença inflamatória progressiva caracterizada pela substituição do parênquima pancreático por tecido fibrótico. No Brasil, o etilismo crônico é a principal etiologia. A fisiopatologia envolve a ativação de células estreladas pancreáticas que promovem a fibrose. Clinicamente, o paciente evolui com dor abdominal crônica (muitas vezes pós-prandial e irradiada para o dorso) e sinais de insuficiência orgânica. A insuficiência exócrina manifesta-se quando >90% da função glandular é perdida, resultando em esteatorreia e deficiência de vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K). A insuficiência endócrina surge tardiamente. O tratamento foca na cessação do tabagismo e etilismo, controle da dor (muitas vezes neuropática), suporte nutricional e manejo das complicações metabólicas.
O diagnóstico clínico baseia-se na presença de esteatorreia (fezes gordurosas, volumosas e fétidas). Laboratorialmente, o teste da elastase fecal-1 é o método não invasivo mais utilizado, apresentando alta sensibilidade em casos avançados. A presença de calcificações no pâncreas em exames de imagem (TC ou USG) confirma a etiologia crônica da má absorção.
A reposição de enzimas pancreáticas (lipase, amilase e protease) é fundamental para tratar a má absorção e a esteatorreia. Elas devem ser administradas durante ou imediatamente após as refeições para mimetizar a fisiologia pancreática. Além de melhorar o estado nutricional, a terapia enzimática pode auxiliar na redução da dor abdominal em alguns pacientes por feedback negativo da CCK.
É classificado como Diabetes Mellitus tipo 3c. Ocorre pela destruição das ilhotas de Langerhans. Diferencia-se do tipo 1 e 2 por envolver não apenas a perda de insulina, mas também de glucagon, o que torna esses pacientes particularmente suscetíveis a episódios de hipoglicemia grave e 'diabetes instável' (brittle diabetes).
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