Pancreatite Biliar: Manejo e Colecistectomia Segura

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2022

Enunciado

Paciente, sexo feminino, 32 anos, refere episódio de dor abdominal, náuseas e icterícia há duas semanas. No momento, encontra-se anictérica e assintomática. Traz consigo exames laboratoriais do momento da crise que evidenciam: Leucograma 9800 sem desvio, amilase 1200, bilirrubina total 4.1, bilirrubina direta 3.2. Além disso, realizou uma ultrassonografia que evidenciou apenas cálculos em vesícula, sem sinais de dilatação de vias biliares. Sobre o manejo clínico da paciente em questão, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) Ela deve ser submetida à colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) terapêutica e diagnóstica antes de uma colecistectomia.
  2. B) Ela deve realizar uma colangioressonância para definir a necessidade ou não de CPRE.
  3. C) Ela tem indicação de colecistectomia apenas, não necessitando realizar nenhum exame adicional.
  4. D) Ela tem indicação de colecistectomia, mas, para avaliar o risco de coledocolitíase, deve realizar novos exames laboratoriais antes de prosseguir para o procedimento cirúrgico.
  5. E) Como a paciente fez pancreatite, ela deve esperar 6 a 8 semanas para ser operada.

Pérola Clínica

Pancreatite biliar resolvida → colecistectomia após reavaliação laboratorial para coledocolitíase.

Resumo-Chave

Em pacientes com histórico de pancreatite biliar que estão assintomáticos e anictéricos, a colecistectomia é indicada para prevenir recorrências. Contudo, é crucial reavaliar os exames laboratoriais (bilirrubinas, enzimas hepáticas) antes da cirurgia para descartar coledocolitíase residual, que exigiria manejo específico (CPRE ou colangioressonância).

Contexto Educacional

A pancreatite biliar é uma das causas mais comuns de pancreatite aguda, resultando da obstrução do ducto pancreático por um cálculo biliar que migra da vesícula. É uma condição potencialmente grave que requer manejo cuidadoso, sendo um tema frequente em provas de residência e na prática clínica de gastroenterologia e cirurgia geral. A fisiopatologia envolve a impactação transitória ou persistente de cálculos biliares na ampola de Vater, levando à obstrução do fluxo pancreático e biliar, e subsequente autodigestão do pâncreas. O diagnóstico é feito pela clínica, elevação de enzimas pancreáticas e evidência de cálculos na ultrassonografia. A icterícia e a elevação de bilirrubinas sugerem envolvimento biliar. O manejo inicial foca na estabilização do paciente e tratamento da pancreatite. Após a resolução do quadro agudo, a colecistectomia é fundamental para prevenir recorrências. Antes da cirurgia, é imperativo reavaliar o risco de coledocolitíase residual com novos exames laboratoriais e, se necessário, exames de imagem adicionais ou CPRE, para garantir a segurança do procedimento e evitar complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para pancreatite biliar?

O diagnóstico de pancreatite biliar é baseado na presença de dor abdominal característica, elevação de amilase e/ou lipase sérica em pelo menos três vezes o limite superior da normalidade, e evidência de cálculos biliares na ultrassonografia.

Quando a colecistectomia é indicada após um episódio de pancreatite biliar?

A colecistectomia é indicada para prevenir a recorrência de pancreatite biliar. Em casos leves, pode ser realizada durante a mesma internação ou precocemente. Em casos graves, é postergada até a resolução da inflamação e estabilização do paciente.

Como avaliar o risco de coledocolitíase antes da colecistectomia?

O risco de coledocolitíase é avaliado por exames laboratoriais (bilirrubina, TGO, TGP, FA, GGT) e de imagem (ultrassonografia, colangioressonância). Se houver alta suspeita, CPRE pode ser indicada para diagnóstico e tratamento.

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