SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2022
Paciente, sexo feminino, 32 anos, refere episódio de dor abdominal, náuseas e icterícia há duas semanas. No momento, encontra-se anictérica e assintomática. Traz consigo exames laboratoriais do momento da crise que evidenciam: Leucograma 9800 sem desvio, amilase 1200, bilirrubina total 4.1, bilirrubina direta 3.2. Além disso, realizou uma ultrassonografia que evidenciou apenas cálculos em vesícula, sem sinais de dilatação de vias biliares. Sobre o manejo clínico da paciente em questão, assinale a alternativa CORRETA.
Pancreatite biliar resolvida → colecistectomia após reavaliação laboratorial para coledocolitíase.
Em pacientes com histórico de pancreatite biliar que estão assintomáticos e anictéricos, a colecistectomia é indicada para prevenir recorrências. Contudo, é crucial reavaliar os exames laboratoriais (bilirrubinas, enzimas hepáticas) antes da cirurgia para descartar coledocolitíase residual, que exigiria manejo específico (CPRE ou colangioressonância).
A pancreatite biliar é uma das causas mais comuns de pancreatite aguda, resultando da obstrução do ducto pancreático por um cálculo biliar que migra da vesícula. É uma condição potencialmente grave que requer manejo cuidadoso, sendo um tema frequente em provas de residência e na prática clínica de gastroenterologia e cirurgia geral. A fisiopatologia envolve a impactação transitória ou persistente de cálculos biliares na ampola de Vater, levando à obstrução do fluxo pancreático e biliar, e subsequente autodigestão do pâncreas. O diagnóstico é feito pela clínica, elevação de enzimas pancreáticas e evidência de cálculos na ultrassonografia. A icterícia e a elevação de bilirrubinas sugerem envolvimento biliar. O manejo inicial foca na estabilização do paciente e tratamento da pancreatite. Após a resolução do quadro agudo, a colecistectomia é fundamental para prevenir recorrências. Antes da cirurgia, é imperativo reavaliar o risco de coledocolitíase residual com novos exames laboratoriais e, se necessário, exames de imagem adicionais ou CPRE, para garantir a segurança do procedimento e evitar complicações.
O diagnóstico de pancreatite biliar é baseado na presença de dor abdominal característica, elevação de amilase e/ou lipase sérica em pelo menos três vezes o limite superior da normalidade, e evidência de cálculos biliares na ultrassonografia.
A colecistectomia é indicada para prevenir a recorrência de pancreatite biliar. Em casos leves, pode ser realizada durante a mesma internação ou precocemente. Em casos graves, é postergada até a resolução da inflamação e estabilização do paciente.
O risco de coledocolitíase é avaliado por exames laboratoriais (bilirrubina, TGO, TGP, FA, GGT) e de imagem (ultrassonografia, colangioressonância). Se houver alta suspeita, CPRE pode ser indicada para diagnóstico e tratamento.
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