HEVV - Hospital Evangélico de Vila Velha (ES) — Prova 2015
G.A.P.B., 30 anos, masculino, deu entrada em hospital terciário com dor abdominal em epigástrio, com irradiação para hipocôndrios e dorso, associado a náuseas e vômitos, com piora à alimentação, de início há cerca de 1 dia. Exames de entrada: Hb: 16,1 g/dl; Ht: 48,2%; leucócitos: 15.000 (sem desvio à esquerda); LDH: 350 U/L; glicose: 108 mg/dl; Ur: 49; Cr: 1,1; TGO: 56; TGP: 45; FA: 140; GAMA-GT: 56; bilirrubina total: 0,82; PCR: 45; Ca: 9,1; PaO2: 120; amilase: 1734; lipase: 2230; ultrassonografia prévia (há 03 meses) com colelitíase. Após melhora do quadro agudo, qual a melhor propedêutica?
Pancreatite biliar leve → colecistectomia na mesma internação para prevenir recorrência.
O paciente apresenta pancreatite aguda (amilase e lipase elevadas, dor característica) de etiologia biliar (colelitíase prévia, TGO/TGP/FA/GGT discretamente elevadas, embora bilirrubina normal). Em casos de pancreatite biliar leve, a colecistectomia laparoscópica deve ser realizada durante a mesma internação, após a melhora do quadro agudo, para prevenir novos episódios. A colangiografia intraoperatória é útil para identificar coledocolitíase residual.
A pancreatite biliar aguda é uma condição inflamatória do pâncreas causada pela obstrução do ducto biliar comum por cálculos biliares, sendo a causa mais comum de pancreatite aguda. Caracteriza-se por dor epigástrica intensa, náuseas, vômitos e elevação das enzimas pancreáticas. A identificação da etiologia biliar é crucial para o manejo adequado e prevenção de recorrências. A fisiopatologia envolve a migração de cálculos da vesícula biliar para o ducto cístico e, subsequentemente, para o ducto biliar comum, onde podem obstruir a ampola de Vater, levando ao refluxo de bile para o ducto pancreático e ativação prematura das enzimas pancreáticas. O diagnóstico é confirmado pela elevação de amilase e lipase, juntamente com achados de colelitíase na ultrassonografia. A gravidade é avaliada por critérios como Ranson ou APACHE II. O tratamento inicial foca no suporte clínico, hidratação vigorosa e analgesia. Em casos de pancreatite biliar leve, a colecistectomia laparoscópica é a terapia definitiva para prevenir novos episódios e deve ser realizada durante a mesma internação, após a melhora do quadro agudo. A colangiografia intraoperatória é um procedimento valioso para detectar e tratar coledocolitíase residual, garantindo a remoção completa da causa obstrutiva.
O diagnóstico de pancreatite aguda requer dois dos três critérios: dor abdominal característica, elevação de amilase e/ou lipase sérica em pelo menos três vezes o limite superior do normal, e achados característicos em exames de imagem.
A colecistectomia na mesma internação para pancreatite biliar leve é recomendada para prevenir a recorrência da pancreatite ou outras complicações biliares, como colecistite aguda ou colangite, que podem ocorrer antes de uma cirurgia agendada posteriormente.
A colangiografia intraoperatória é utilizada para identificar a presença de cálculos residuais no ducto biliar comum (coledocolitíase), que podem ter sido a causa da pancreatite e que necessitariam de remoção para evitar futuras complicações.
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