Pancreatite Biliar: Manejo e Colecistectomia

Hospital Unimed-Rio (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 42 anos de idade, foi admitida com dor abdominal em região epigástrica há 2 dias, associada a náusea e vômitos. Nega febre. Ao exame físico, apresenta-se corada, hidratada e anictérica. Abdome doloroso à palpação de região epigástrica e hipocôndrio direito. Exames laboratoriais com amilase = 1200 U/L e a ultrassonografia de abdome revela vesícula biliar de paredes espessadas e com múltiplos pequenos cálculos no seu interior, pequena dilatação das vias biliares, sem fator obstrutivo evidente. Em relação ao caso, a conduta apropriada é:

Alternativas

  1. A) Internação; jejum; sintomáticos e hidratação endovenosa. Colecistectomia com colangiografia intraoperatória, após controle da pancreatite.
  2. B) Iniciar antibioticoterapia, aplicar sintomáticos e liberar apenas dieta leve, com internação hospitalar por pelo menos 72 horas. Alta para fila operatória.
  3. C) Solicitar exame de colangiografia endoscópica para avaliar possíveis complicações relacionadas à inflamação do pâncreas e sintomáticos para controle da dor.
  4. D) Internação hospitalar e tratamento cirúrgico com colecistectomia e anastomose biliodigestiva de emergência, devido às condições clínicas e laboratoriais.

Pérola Clínica

Pancreatite biliar → Internação, jejum, hidratação EV. Colecistectomia pós-controle da inflamação.

Resumo-Chave

A pancreatite biliar é uma complicação da colelitíase, caracterizada por dor abdominal e elevação de enzimas pancreáticas. O tratamento inicial é clínico (suporte), seguido de colecistectomia para prevenir recorrências, idealmente após a resolução do quadro agudo.

Contexto Educacional

A pancreatite biliar é uma das causas mais comuns de pancreatite aguda, resultante da obstrução transitória da ampola de Vater por um cálculo biliar. É crucial para estudantes e residentes reconhecerem a apresentação clínica, que inclui dor abdominal intensa, náuseas, vômitos e elevação significativa das enzimas pancreáticas, como a amilase e lipase. A ultrassonografia abdominal é fundamental para identificar a colelitíase como etiologia. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são essenciais para evitar complicações graves. O tratamento inicial é de suporte, com internação, jejum, hidratação venosa vigorosa e analgesia. A colecistectomia é o tratamento definitivo para prevenir recorrências, e o momento ideal para sua realização é após a resolução do quadro agudo, geralmente durante a mesma internação ou em até 2-4 semanas, dependendo da gravidade e evolução do paciente. A colangiografia intraoperatória pode ser considerada para identificar coledocolitíase residual. É importante diferenciar a pancreatite biliar de outras causas de pancreatite e de outras condições abdominais agudas. A avaliação da gravidade da pancreatite, por meio de escores como Ranson ou APACHE II, guia a intensidade do monitoramento e tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da pancreatite biliar?

A pancreatite biliar manifesta-se com dor abdominal epigástrica intensa, irradiando para o dorso, associada a náuseas e vômitos. A icterícia pode estar presente se houver obstrução biliar.

Por que a colecistectomia é indicada na pancreatite biliar?

A colecistectomia é indicada para remover a vesícula biliar com cálculos, prevenindo novos episódios de pancreatite biliar e outras complicações da colelitíase, como colecistite.

Qual o momento ideal para a colecistectomia após um episódio de pancreatite biliar?

A colecistectomia deve ser realizada após a resolução do quadro agudo da pancreatite, geralmente dentro de 2 a 4 semanas, para reduzir o risco de recorrência.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo