Pancreatite Biliar: Manejo e Momento da Colecistectomia

Fundhacre - Fundação Hospital Estadual do Acre — Prova 2021

Enunciado

Paciente sexo feminino, 28 anos, multípara, apresentou quadro de dor em andar superior do abdome, em barra, início súbito, de forte intensidade e vômitos incoercíveis. Evolução de 2 dias. Refere plenitude pós-prandial de longa data. Ao exame físico apresenta-se ictérica +/+4, desidratada e taquicárdica. O abdome é difusamente doloroso à palpação, mais intensamente em epigástrica. Considerando a hipótese de pancreatite biliar, qual a resposta correta?

Alternativas

  1. A) Estabilizar hemodinamicamente e indicar papilotomia endoscópica.
  2. B) Estabilizar hemodinamicamente e indicar videocolecistectomia.
  3. C) Após normalização das enzimas pancreáticas e voltar a alimentação sem dor, indicar videocolecistectomia.
  4. D) Após normalização das enzimas pancreáticas e voltar a alimentação sem dor, indicar papilotomia endoscópica.

Pérola Clínica

Pancreatite biliar leve → Estabilizar, aguardar melhora clínica/enzimática, depois colecistectomia para prevenir recorrência.

Resumo-Chave

Em casos de pancreatite biliar leve a moderada, o tratamento inicial foca na estabilização hemodinâmica e no suporte clínico. A colecistectomia é indicada para prevenir recorrências, mas deve ser realizada após a resolução do quadro agudo, idealmente durante a mesma internação ou em até 2-4 semanas, uma vez que o paciente esteja clinicamente estável e as enzimas pancreáticas normalizadas.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda biliar é uma das causas mais comuns de pancreatite aguda, resultando da obstrução do ducto biliar comum por cálculos biliares. A apresentação clínica é caracterizada por dor abdominal intensa em epigástrio, irradiando para o dorso, acompanhada de náuseas e vômitos. A icterícia pode estar presente se houver obstrução prolongada do ducto biliar. O diagnóstico é confirmado pela elevação das enzimas pancreáticas (amilase e lipase) e evidência de cálculos biliares na ultrassonografia. O manejo inicial da pancreatite biliar foca na estabilização do paciente, com hidratação venosa vigorosa, analgesia e suporte nutricional. A gravidade da pancreatite deve ser avaliada por escores como Ranson ou APACHE II, ou pelos critérios de Atlanta. Em casos de pancreatite leve a moderada, a intervenção cirúrgica (colecistectomia) para remover a vesícula biliar e prevenir novos episódios é recomendada após a resolução do quadro inflamatório agudo, idealmente antes da alta hospitalar ou em até 2-4 semanas. É crucial diferenciar a necessidade de colecistectomia da necessidade de CPRE (colangiopancreatografia retrógrada endoscópica). A CPRE com papilotomia é uma intervenção invasiva e é reservada para situações específicas, como colangite aguda concomitante, icterícia obstrutiva progressiva ou evidência de cálculo impactado no ducto biliar comum. Para residentes, a compreensão do timing correto para cada intervenção é vital para otimizar o tratamento e evitar complicações desnecessárias.

Perguntas Frequentes

Qual a conduta inicial para um paciente com pancreatite biliar aguda?

A conduta inicial para pancreatite biliar aguda envolve estabilização hemodinâmica, analgesia, hidratação venosa agressiva e suporte nutricional. O tratamento específico da causa biliar é considerado após a fase aguda.

Quando a colecistectomia é indicada após um episódio de pancreatite biliar?

A colecistectomia é indicada para prevenir recorrências de pancreatite biliar. Em casos de pancreatite leve, deve ser realizada preferencialmente durante a mesma internação ou em até 2-4 semanas após a resolução do quadro agudo e normalização das enzimas pancreáticas.

Em que situações a papilotomia endoscópica (CPRE) é necessária na pancreatite biliar?

A CPRE com papilotomia é indicada em casos de pancreatite biliar com colangite aguda concomitante, icterícia obstrutiva progressiva, ou quando há evidência de obstrução biliar persistente, como dilatação do ducto biliar comum ou cálculos impactados.

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