Pancreatite Biliar e Colangite Aguda: Diagnóstico e Relação

HFCF - Hospital Federal Cardoso Fontes (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Um paciente com pancreatite biliar apresenta elevação sérica de ALT e AST e fosfatase alcalina. Nesse caso, uma outra doença que certamente está associada é:

Alternativas

  1. A) Diverticulite perfurada
  2. B) Apêndicite gangrenosa
  3. C) Retocolite ulcerativa
  4. D) Colangite aguda

Pérola Clínica

Pancreatite biliar + colestase (FA ↑) + transaminases ↑ → alta suspeita de colangite aguda.

Resumo-Chave

A pancreatite biliar, causada por cálculos biliares, frequentemente cursa com coledocolitíase. A elevação de ALT/AST e fosfatase alcalina indica obstrução biliar e possível lesão hepatocelular, fatores que predispõem à colangite aguda, uma infecção grave do trato biliar que pode ser precipitada pela estase biliar.

Contexto Educacional

A pancreatite biliar é uma das causas mais comuns de pancreatite aguda, ocorrendo quando cálculos biliares obstruem o ducto biliar comum ou o ducto pancreático na ampola de Vater. Essa obstrução leva ao refluxo de bile para o ducto pancreático ou à ativação prematura de enzimas pancreáticas, resultando em inflamação do pâncreas. A elevação das enzimas hepáticas como ALT e AST, juntamente com a fosfatase alcalina, é um forte indicativo de coledocolitíase (cálculos no ducto biliar comum) e obstrução biliar. A colangite aguda é uma infecção bacteriana do trato biliar, geralmente precipitada por obstrução biliar (como por cálculos) e estase da bile, que permite a proliferação bacteriana. Os sintomas clássicos incluem a tríade de Charcot (febre, dor no quadrante superior direito e icterícia) e, em casos mais graves, a pêntade de Reynolds (tríade de Charcot mais hipotensão e alteração do estado mental). A presença de pancreatite biliar, colestase (fosfatase alcalina elevada) e lesão hepatocelular (ALT/AST elevadas) em um paciente com dor abdominal aguda é um cenário clínico que aponta fortemente para a colangite aguda como uma complicação associada. O diagnóstico de colangite aguda é clínico, laboratorial (leucocitose, elevação de bilirrubinas, fosfatase alcalina, GGT) e de imagem (dilatação das vias biliares, cálculos). O tratamento envolve antibioticoterapia de amplo espectro e descompressão biliar urgente, geralmente por CPRE (colangiopancreatografia retrógrada endoscópica), para remover a obstrução e drenar a bile infectada. A não identificação e tratamento precoce da colangite aguda pode levar a sepse e alta mortalidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados laboratoriais que sugerem colangite aguda em pacientes com pancreatite biliar?

Em pacientes com pancreatite biliar, a colangite aguda é sugerida por leucocitose, elevação de bilirrubinas, fosfatase alcalina e gama-glutamil transferase (GGT), além de elevação de ALT e AST.

Qual a fisiopatologia da colangite aguda em pacientes com coledocolitíase?

A colangite aguda ocorre quando há obstrução do trato biliar (frequentemente por coledocolitíase), levando à estase da bile e proliferação bacteriana, resultando em infecção e inflamação das vias biliares.

Quais são os critérios diagnósticos para colangite aguda?

Os critérios diagnósticos para colangite aguda incluem evidência de inflamação sistêmica (febre, leucocitose), evidência de colestase (icterícia, FA/GGT elevadas) e evidência de imagem de obstrução biliar.

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