Unimed-Rio - Cooperativa de Trabalho Médico (RJ) — Prova 2025
Paciente com dor abdominal intensa apresenta essa tomografia do abdome. Qual o órgão acometido?
TC de abdome com pâncreas aumentado e densificação da gordura peripancreática = Pancreatite aguda edematosa intersticial.
A tomografia computadorizada é o padrão-ouro para avaliar a gravidade e as complicações da pancreatite aguda, como necrose e coleções líquidas. Os achados iniciais incluem aumento do volume pancreático, borramento dos contornos e densificação da gordura adjacente.
A pancreatite aguda é um processo inflamatório do pâncreas cujo diagnóstico é estabelecido pela presença de dois de três critérios: dor abdominal característica, elevação da amilase e/ou lipase sérica (≥ 3 vezes o limite superior da normalidade) e achados de imagem compatíveis. A tomografia computadorizada (TC) de abdome é a modalidade de imagem mais importante na avaliação da doença, especialmente para estadiamento da gravidade e detecção de complicações. Os achados tomográficos na pancreatite aguda edematosa intersticial, a forma mais comum e branda, incluem aumento difuso ou focal do pâncreas, perda da definição de seus contornos e densificação da gordura peripancreática. A classificação de Balthazar é um sistema de escore tomográfico que gradua a gravidade com base nesses achados inflamatórios e na presença de coleções líquidas. A adição da avaliação de necrose pancreática (detectada em TC com contraste) deu origem ao Índice de Gravidade Tomográfico (IG-TC), que possui melhor correlação com a morbimortalidade. É crucial entender o momento ideal para a realização da TC. No momento do diagnóstico, se os critérios clínicos e laboratoriais forem claros, a imagem pode não ser necessária. A TC é indicada principalmente em casos de dúvida diagnóstica, falha na melhora clínica após 48-72 horas de tratamento de suporte, ou para avaliação de complicações tardias como pseudocistos, abscessos e necrose infectada. A realização precoce do exame (nas primeiras 24h) pode subestimar a extensão da necrose, que se define melhor após alguns dias de evolução da doença.
Os achados incluem aumento focal ou difuso do pâncreas, contornos mal definidos, heterogeneidade do parênquima e densificação (borramento) da gordura peripancreática. Também podem ser vistas coleções líquidas agudas, líquido livre na cavidade e espessamento de fáscias renais.
A TC com contraste endovenoso é fundamental para avaliar a perfusão do parênquima pancreático, sendo o método de escolha para detectar necrose. É indicada em pacientes com critérios de gravidade (ex: Ranson, APACHE II) ou que não apresentam melhora clínica após 48-72 horas de tratamento.
Na pancreatite edematosa intersticial, o pâncreas realça de forma homogênea após a injeção de contraste. Na pancreatite necrotizante, áreas do parênquima não apresentam realce (hipocaptantes), indicando ausência de perfusão sanguínea e, consequentemente, necrose tecidual.
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