SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025
Em relação à pancreatite aguda recidivante sem etiologia esclarecida, assinale a alternativa INCORRETA:
Pancreatite por hipertrigliceridemia → Geralmente ocorre com TG > 1.000 mg/dL (não apenas 500).
Embora níveis de triglicerídeos > 500 mg/dL aumentem o risco, a pancreatite aguda é classicamente atribuída à hipertrigliceridemia quando os níveis superam 1.000 mg/dL.
A pancreatite aguda recidivante desafia o clínico na busca pela etiologia. Cerca de 10-20% dos casos permanecem sem causa após avaliação inicial. A microlitíase é a causa oculta mais comum, justificando a colecistectomia empírica em casos selecionados mesmo com USG normal. Outras causas incluem disfunção do esfíncter de Oddi, pâncreas divisum, pancreatite autoimune e causas genéticas (mutação CFTR, SPINK1). A CPRE nunca deve ser usada apenas para diagnóstico devido ao risco de induzir uma nova crise de pancreatite; sua função é estritamente terapêutica (ex: retirada de cálculo impactado ou tratamento de estenoses).
A hipertrigliceridemia é a terceira causa mais comum de pancreatite aguda. Embora o risco comece a subir quando os níveis de triglicerídeos ultrapassam 500 mg/dL, a maioria das diretrizes e estudos clínicos estabelece que a pancreatite aguda é desencadeada tipicamente quando os valores excedem 1.000 mg/dL. Níveis entre 500 e 1.000 podem contribuir, mas deve-se investigar outras causas concomitantes se os valores não forem francamente elevados.
Deve-se suspeitar de neoplasia pancreática (especialmente o adenocarcinoma de cabeça de pâncreas ou neoplasia mucinosa papilar intraductal - IPMN) em qualquer paciente acima de 50 anos que apresente o primeiro episódio de pancreatite aguda sem causa óbvia (como cálculos ou álcool) ou em casos de pancreatite recidivante. O tumor pode causar obstrução ductal intermitente, levando à inflamação.
A ecoendoscopia (ultrassonografia endoscópica) é considerada o exame mais sensível para investigar pancreatite 'idiopática'. Ela é superior à tomografia e à ressonância para detectar microlitíase (lama biliar), pequenos tumores neuroendócrinos ou adenocarcinomas precoces, além de avaliar anomalias anatômicas como o pâncreas divisum. É o próximo passo quando a investigação inicial com USG abdominal e exames laboratoriais é negativa.
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