UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2015
Em relação à pancreatite é verdadeiro, EXCETO:
Pancreatite aguda: hipocalcemia é fator prognóstico adverso, não hipercalcemia.
Na pancreatite aguda grave, a hipocalcemia é um fator prognóstico adverso, geralmente devido à saponificação de gorduras no retroperitônio, que sequestra cálcio. A hipercalcemia, por outro lado, pode ser uma causa de pancreatite, mas não um fator prognóstico adverso da doença em si.
A pancreatite aguda é uma condição inflamatória grave do pâncreas, com etiologias variadas, sendo as mais comuns a litíase biliar e o alcoolismo. A dor abdominal intensa é o sintoma cardinal, e a ausência de dor é um fenômeno raro, geralmente associado a quadros graves com alteração do nível de consciência. O diagnóstico baseia-se na clínica, elevação de amilase e lipase séricas e achados de imagem. Na pancreatite alcoólica, o acetaldeído, metabólito do etanol, é considerado um dos principais responsáveis pela lesão das células acinares, desencadeando a cascata inflamatória. A hiperamilasemia persistente, ou seja, a elevação prolongada dos níveis de amilase, é um sinal de alerta que sugere a presença de complicações locais, como pseudocistos ou necrose infectada, e deve motivar uma investigação mais aprofundada. Em relação ao prognóstico, a hipocalcemia é um fator adverso importante, indicando gravidade e extensa necrose gordurosa. A hipercalcemia, por outro lado, é uma causa conhecida de pancreatite (por exemplo, hiperparatireoidismo), mas não um fator prognóstico adverso da doença em si. A tomografia computadorizada com contraste é uma ferramenta essencial na avaliação prognóstica e na detecção de complicações, especialmente após as primeiras 72 horas do início dos sintomas, quando a extensão da necrose pode ser melhor delineada.
Fatores prognósticos adversos incluem idade avançada, obesidade, SIRS, falência orgânica, necrose pancreática, e alterações laboratoriais como leucocitose, elevação de ureia, LDH, PCR e hipocalcemia.
A hipocalcemia ocorre devido à saponificação de gorduras liberadas pela necrose pancreática, que se ligam ao cálcio, formando sabões insolúveis. Isso indica necrose extensa e piora do quadro.
A TC é geralmente indicada após 72 horas do início dos sintomas para avaliar a extensão da necrose e a presença de complicações locais, como coleções líquidas, pseudocistos ou abscessos, sendo menos útil nas primeiras 48h para prognóstico.
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