Pancreatite Pós-Colecistectomia: Diagnóstico e Manejo

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025

Enunciado

Paciente, 23 anos, sétimo dia de pós-operatório de colecistectomia videolaparoscopica procura serviço de urgência com dor abdominal intensa e vômitos, refratários à medicação oral. Ao exame físico: Consciente, orientada, eupneica, corada, anictérica, algo deshidratada, taquipneica (+/4+), FC 100bpm, PA 110x70mmHg. Abdome distendido, doloroso sobretudo em quadrantes superiores com sinais de irritação peritoneal, feridas operatórias sem alterações. Sobre o quadro em questão, é CORRETO afirmar que

Alternativas

  1. A) a causa mais provável é um abscesso cavitário por hematoma infectado, sendo necessária a reoperação.
  2. B) o diagnóstico provável é coledocolitíase residual cursando com colangite, sendo necessário CPER.
  3. C) é uma provável lesão de vias biliares com coleperitônio, sendo necessário drenagem percutânea.
  4. D) dor do pós-operatório, em paciente com baixo limiar, necessário apenas medicar e controle sintomático.
  5. E) Diagnóstico provável de pancreatite aguda pós-operatória, sendo necessários exames laboratoriais para confirmar o diagnóstico. Tratamento clínico de suporte seria indicado.

Pérola Clínica

Dor abdominal intensa + vômitos + irritação peritoneal no 7º PO de colecistectomia → suspeitar pancreatite aguda ou lesão biliar.

Resumo-Chave

A pancreatite aguda é uma complicação rara, mas grave, da colecistectomia, podendo ocorrer por manipulação do ducto biliar comum ou por cálculos residuais. A apresentação com dor abdominal intensa, vômitos e sinais de irritação peritoneal, especialmente nos quadrantes superiores, é sugestiva. Exames laboratoriais (amilase/lipase) são cruciais para o diagnóstico, e o tratamento inicial é de suporte.

Contexto Educacional

A colecistectomia videolaparoscópica é um dos procedimentos cirúrgicos mais comuns, mas não é isenta de complicações. A pancreatite aguda pós-colecistectomia, embora rara (incidência de 0,1-1%), é uma complicação grave que pode levar a morbidade e mortalidade significativas. É fundamental que residentes reconheçam seus sinais e sintomas para um diagnóstico e manejo precoces. A fisiopatologia da pancreatite pós-colecistectomia está frequentemente relacionada à manipulação do ducto biliar comum, lesão iatrogênica ou migração de cálculos biliares residuais. O quadro clínico se manifesta com dor abdominal intensa, vômitos refratários, distensão abdominal e sinais de irritação peritoneal, geralmente nos primeiros dias a uma semana após a cirurgia. O diagnóstico é confirmado pela elevação de amilase e lipase séricas em três vezes o limite superior da normalidade, associado à clínica e achados de imagem. O tratamento da pancreatite aguda é predominantemente de suporte, visando estabilizar o paciente e prevenir complicações. Inclui hidratação venosa vigorosa, analgesia, controle de náuseas e vômitos, e jejum. Em casos de pancreatite biliar, a colangiopancreatografia endoscópica retrógrada (CPER) pode ser indicada para desobstrução biliar. O prognóstico depende da gravidade da pancreatite e da presença de complicações sistêmicas ou locais.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de pancreatite aguda pós-colecistectomia?

As principais causas incluem manipulação traumática do ducto biliar comum durante a cirurgia, cálculos biliares residuais no colédoco que migram para o ducto pancreático, ou lesão térmica/elétrica próxima ao pâncreas.

Como diferenciar pancreatite aguda de lesão de vias biliares no pós-operatório?

Ambas podem causar dor abdominal e irritação peritoneal. A pancreatite aguda é confirmada por elevação de amilase e lipase séricas. A lesão de vias biliares com coleperitônio pode ser sugerida por drenagem biliar ou exames de imagem como TC ou colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM).

Qual o tratamento inicial para pancreatite aguda pós-operatória?

O tratamento é primariamente de suporte, incluindo hidratação venosa agressiva, analgesia adequada, controle de náuseas e vômitos, e jejum. Em casos graves, pode ser necessária terapia intensiva e monitoramento de complicações.

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