Pancreatite Aguda Pediátrica: Diagnóstico e Exames Essenciais

UNIRG - Universidade de Gurupi (TO) — Prova 2015

Enunciado

Criança de nove anos procura o pronto-socorro de pediatria com história de dor epigástrica intensa irradiada para dorso, náuseas e vômitos há 12 horas. Refere ter apresentado quadro viral na última semana. Ao exame, o abdome apresenta-se doloroso à palpação e tenso difusamente. Qual é o diagnóstico mais provável e que exame deverá ser solicitado, nesse caso?

Alternativas

  1. A) Síndrome de Reye – dosagem de amônia sérica.
  2. B) Invaginação intestinal – enema opaco.
  3. C) Refluxo gastroesofágico – raio X contrastado de esôfago, estômago e duodeno.
  4. D) Pancreatite aguda – dosagem sérica de amílase e lipase.

Pérola Clínica

Dor epigástrica irradiada para dorso + náuseas/vômitos + abdome tenso em criança pós-viral → suspeitar pancreatite aguda, solicitar amilase/lipase.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor epigástrica intensa irradiada para o dorso, acompanhada de náuseas e vômitos, é altamente sugestivo de pancreatite aguda, especialmente em uma criança com história recente de infecção viral. A dosagem sérica de amilase e lipase é essencial para confirmar o diagnóstico, sendo a lipase mais específica para o pâncreas.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda em crianças, embora menos comum que em adultos, é uma condição séria que exige reconhecimento e manejo rápidos. O quadro clínico clássico envolve dor abdominal intensa, geralmente epigástrica, com irradiação para o dorso, acompanhada de náuseas e vômitos. A história de um quadro viral recente é um fator etiológico comum na população pediátrica, tornando a suspeita diagnóstica ainda mais relevante neste contexto. O diagnóstico de pancreatite aguda é estabelecido pela presença de pelo menos dois dos três critérios: dor abdominal característica, elevação da amilase e/ou lipase sérica em pelo menos três vezes o limite superior da normalidade, e achados de imagem compatíveis (ultrassonografia ou tomografia). A dosagem sérica de amilase e lipase é, portanto, o exame laboratorial de escolha para confirmar a suspeita clínica. A lipase é geralmente mais sensível e específica para o pâncreas do que a amilase. O tratamento da pancreatite aguda em crianças é primariamente de suporte, focando na hidratação intravenosa, controle da dor e repouso intestinal. A identificação e tratamento da causa subjacente são cruciais para prevenir recorrências. É fundamental para o residente de pediatria estar atento a essa condição, pois o atraso no diagnóstico e tratamento pode levar a complicações graves, como pseudocistos, necrose pancreática e insuficiência de múltiplos órgãos.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de pancreatite aguda em crianças?

As causas mais comuns de pancreatite aguda em crianças incluem infecções virais (como caxumba, enterovírus), trauma abdominal, uso de certos medicamentos (ex: L-asparaginase, valproato), doenças sistêmicas (ex: fibrose cística, lúpus), anomalias congênitas do trato biliar e colelitíase.

Qual a diferença entre amilase e lipase no diagnóstico de pancreatite?

Ambas são enzimas pancreáticas elevadas na pancreatite aguda. A lipase é geralmente considerada mais específica para o pâncreas do que a amilase, que pode estar elevada em outras condições (ex: parotidite, doenças intestinais). A lipase também permanece elevada por mais tempo, sendo útil em diagnósticos tardios.

Como é feito o manejo inicial da pancreatite aguda em crianças?

O manejo inicial da pancreatite aguda em crianças é de suporte, incluindo hidratação intravenosa agressiva, analgesia adequada (muitas vezes com opioides), repouso intestinal (jejum) e monitoramento de complicações. A nutrição enteral precoce é preferível à parenteral, se tolerada.

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