UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025
Menino, 7 anos, está internado com história de dor abdominal epigástrica que se iniciou há 2 dias. A dor inicialmente era forte, levando à posição antálgica, porém, há cerca de 18 horas, diminui de intensidade. Apresentou episódios de vômitos nas primeiras 6 horas de dor. Exame físico: discreta distensão do abdome e dor à palpação profunda. Exames laboratoriais: elevação da lipase e amilase séricas. Tomografia computadorizada (TC) do abdome: normal. Está com a alimentação oral suspensa e em uso de analgésicos. A conduta mais adequada, a seguir, é:
Pancreatite aguda leve → Reinício precoce da dieta oral assim que tolerado.
Na pancreatite aguda leve, a nutrição oral precoce é segura e superior ao jejum prolongado, reduzindo complicações e tempo de internação.
A pancreatite aguda na infância tem etiologias distintas dos adultos, sendo trauma, doenças sistêmicas e anomalias anatômicas causas importantes. O manejo atual foca na hidratação venosa vigorosa nas primeiras 24 horas e no controle álgico eficaz. A mudança de paradigma mais significativa é o abandono do 'repouso pancreático' absoluto. Evidências sólidas mostram que a alimentação precoce (oral ou enteral) está associada a melhores desfechos. O uso de antibióticos profiláticos ou inibidores de bomba de prótons de rotina não é indicado, a menos que haja outras indicações clínicas específicas.
A dieta deve ser reiniciada assim que o paciente apresentar melhora da dor abdominal, redução dos vômitos e demonstrar fome. Não é necessário aguardar a normalização dos níveis de amilase e lipase séricas, que podem permanecer elevados por dias após a resolução clínica.
A nutrição enteral precoce mantém a integridade da barreira mucosa intestinal, prevenindo a translocação bacteriana e reduzindo o risco de infecção de necroses pancreáticas e falência de múltiplos órgãos. Em casos leves, a via oral é a primeira escolha; se não tolerada, a via nasogástrica/nasoenteral é preferível à parenteral.
Na pediatria, o diagnóstico de pancreatite aguda é clínico e laboratorial (amilase/lipase > 3x o normal). A TC de abdome não é recomendada rotineiramente nas primeiras 48-72 horas, pois frequentemente é normal e não altera a conduta inicial, sendo reservada para casos de dúvida diagnóstica ou suspeita de complicações.
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