SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2024
Homem de 55 anos encontra-se em tratamento hospitalar por quadro de pancreatite alcoólica aguda, há cerca de cinco dias. Paciente está em enfermaria com oxigênio suplementar, reposição volêmica e medidas de analgesia. No momento, apresenta sinais vitais estáveis, sem febre. Foi submetido a tomografia de abdome, que mostrou área de necrose pancreática de, aproximadamente, 30%. Com base no quadro apresentado, qual deve ser a proposta terapêutica em relação ao uso de antibióticos?
Necrose pancreática estéril → NÃO usar antibióticos profiláticos, independente da extensão.
A antibioticoterapia na pancreatite aguda é reservada para casos de necrose infectada comprovada ou suspeita clínica forte (piora após 7-10 dias). O uso profilático não reduz mortalidade.
A pancreatite aguda é uma condição inflamatória com espectro clínico variável. A necrose pancreática ocorre em cerca de 20% dos pacientes e, se estéril, deve ser manejada conservadoramente. Estudos randomizados demonstraram que o uso de antibióticos profiláticos não previne a infecção da necrose nem reduz a necessidade de cirurgia ou a mortalidade, podendo ainda favorecer infecções fúngicas e resistência bacteriana. O tratamento atual foca em suporte volêmico, analgesia e nutrição enteral precoce.
A suspeita deve ocorrer em pacientes que apresentam piora do estado clínico, persistência ou recorrência de febre e leucocitose, geralmente após a segunda semana de evolução do quadro de pancreatite. A presença de gás no interior da coleção necrótica na tomografia computadorizada é um sinal radiológico altamente específico de infecção por germes produtores de gás.
A tomografia com contraste é útil para avaliar a gravidade da pancreatite e identificar complicações como a necrose. No entanto, a extensão da necrose isoladamente não é indicação de antibioticoterapia ou intervenção cirúrgica imediata, devendo o tratamento ser guiado pela estabilidade clínica do paciente e sinais de infecção secundária.
Quando há confirmação ou forte suspeita de necrose infectada, utilizam-se antibióticos com boa penetração no tecido pancreático. Os carbapenêmicos (como o imipenem ou meropenem) são frequentemente a primeira escolha devido ao seu amplo espectro contra patógenos entéricos gram-negativos e anaeróbios, que são os principais agentes envolvidos.
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