Pancreatite Aguda Grave: Manejo da Necrose Infectada

UFPB/HULW - Hospital Universitário Lauro Wanderley - João Pessoa (PB) — Prova 2022

Enunciado

Na pancreatite aguda, necessitamos estratificar a gravidade para que possamos definir a melhor conduta para cada caso. Assim, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Na pancreatite aguda grave, a cirurgia está indicada em todos os casos de necrose pancreática.
  2. B) A única conduta nutricional preconizada na pancreatite aguda grave é a nutrição parenteral em virtude da promoção de repouso intestinal.
  3. C) Pacientes com pancreatite aguda leve de causa biliar, após melhora, não necessitarão remover a vesícula. 
  4. D) A nutrição enteral por sonda nasoentérica, mesmo com posicionamento distal após o ângulo de Treitz, estimula a secreção exógena do pâncreas, agravando o quadro na pancreatite aguda.
  5. E) Pacientes com pancreatite aguda grave, apresentando necrose infectada, após 2-3 semanas de evolução e falha nos antibióticos, deverão submeter-se a uma drenagem da coleção ou necrose infectada, inicialmente, se possível, por métodos percutâneos ou endoscópicos. 

Pérola Clínica

Pancreatite grave com necrose infectada e falha ATB → drenagem minimamente invasiva (percutânea/endoscópica) após 2-3 semanas.

Resumo-Chave

Na pancreatite aguda grave com necrose infectada, a intervenção cirúrgica aberta é evitada inicialmente. Prioriza-se a drenagem percutânea ou endoscópica após um período de 2-3 semanas, permitindo a delimitação da necrose e otimizando o sucesso do procedimento, especialmente após falha da antibioticoterapia.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda é uma inflamação do pâncreas que varia de leve a grave, com a forma grave associada a alta morbimortalidade. A estratificação da gravidade é crucial para guiar a conduta, utilizando escores como o APACHE II, Ranson ou Balthazar. A necrose pancreática é uma complicação séria, e sua infecção é um fator prognóstico negativo, exigindo manejo cuidadoso. A fisiopatologia da pancreatite envolve a autodigestão do pâncreas por enzimas ativadas prematuramente. A necrose infectada ocorre quando bactérias intestinais translocam para o tecido necrótico. O diagnóstico é suspeitado por piora clínica e confirmado por exames de imagem (TC com contraste) e, se necessário, punção aspirativa para cultura. O tratamento da pancreatite aguda grave com necrose infectada inicialmente envolve suporte clínico intensivo e antibioticoterapia de amplo espectro. A intervenção para remover a necrose infectada é geralmente postergada por 2-3 semanas para permitir a delimitação da coleção. A drenagem percutânea ou endoscópica é a abordagem de primeira linha, sendo a cirurgia aberta reservada para falha dessas técnicas ou complicações específicas.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para considerar necrose pancreática infectada?

A necrose pancreática infectada é suspeitada em pacientes com necrose estéril que apresentam deterioração clínica ou sinais de sepse após 2-3 semanas de evolução, confirmada por cultura de material obtido por punção.

Por que a drenagem é preferencialmente minimamente invasiva na necrose infectada?

A drenagem minimamente invasiva (percutânea ou endoscópica) é preferida para reduzir a morbimortalidade associada à cirurgia aberta, permitindo a remoção do tecido necrótico com menor trauma e complicações.

Quando a cirurgia aberta é indicada na pancreatite necrótica?

A cirurgia aberta (necrosectomia) é geralmente reservada para casos de falha das abordagens minimamente invasivas ou em situações de emergência, como síndrome compartimental abdominal ou hemorragia incontrolável.

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