Pancreatite Aguda Necrosante: Diagnóstico de Infecção

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2015

Enunciado

J.A.O., masculino, 60 anos, está internado em regime de terapia intensiva com quadro de dor abdominal intensa, desidratação, insuficiência renal e dificuldade respiratória. Após tratamento intensivo, o paciente obteve discreta melhora. Foi, então, realizada tomografia computadorizada do abdome, que demonstrou coleção peripancreática com presença de gás, além de perda do contorno pancreático. O diagnóstico mais provável é:

Alternativas

  1. A) Pancreatite aguda edematosa.
  2. B) Pancreatite aguda com necrose infectada.
  3. C) Adenocarcinoma de corpo pancreático.
  4. D) Pancreatite crônica com rutura do canal de Wirsung.
  5. E) Pancreatite crônica calcificada.

Pérola Clínica

Coleção peripancreática com gás na TC + quadro grave = Pancreatite aguda com necrose infectada.

Resumo-Chave

A presença de gás em coleções peripancreáticas na tomografia computadorizada é um sinal patognomônico de infecção da necrose pancreática, uma complicação grave da pancreatite aguda que exige tratamento específico, muitas vezes cirúrgico ou por drenagem percutânea.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda é uma condição inflamatória do pâncreas que pode variar de leve a grave. Uma das complicações mais temidas é a necrose pancreática, que pode ser estéril ou infectada. A necrose infectada é um fator prognóstico negativo, aumentando significativamente a morbimortalidade e exigindo uma abordagem terapêutica mais agressiva. O diagnóstico de necrose infectada é crucial e baseia-se na piora clínica do paciente, associada a achados radiológicos. A tomografia computadorizada do abdome, com contraste, é o exame de escolha para avaliar a extensão da necrose e a presença de coleções. A identificação de gás dentro de coleções peripancreáticas ou intrapancreáticas é o sinal mais confiável de infecção e indica a necessidade de intervenção. O manejo da pancreatite aguda com necrose infectada envolve suporte intensivo, antibioticoterapia de amplo espectro e, frequentemente, drenagem percutânea ou cirúrgica da necrose. A decisão pela intervenção deve ser individualizada, considerando o estado clínico do paciente e a extensão da infecção. A compreensão desses aspectos é vital para residentes e estudantes de medicina.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de necrose infectada na pancreatite aguda?

Os sinais incluem piora clínica, febre, leucocitose e, crucialmente, a presença de gás em coleções peripancreáticas ou intrapancreáticas na tomografia computadorizada.

Qual a importância da tomografia na pancreatite aguda?

A TC é fundamental para avaliar a extensão da necrose, a presença de coleções líquidas e, principalmente, para identificar sinais de infecção, como a presença de gás, que direcionam a conduta terapêutica.

Como diferenciar necrose estéril de necrose infectada?

A diferenciação é clínica e radiológica. A necrose infectada cursa com piora do estado geral e, na TC, pode apresentar gás. A necrose estéril, embora grave, não tem sinais de infecção bacteriana.

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