UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2022
Em relação à pancreatite aguda, é correto afirmar:
Necrose infectada → intervenção (cirúrgica/percutânea); Necrose estéril → conduta conservadora.
A conduta na pancreatite aguda prioriza o suporte clínico. A intervenção cirúrgica é reservada para complicações como necrose infectada, preferencialmente após 4 semanas.
A pancreatite aguda é uma condição inflamatória com espectro clínico variável. A classificação de Atlanta define a gravidade baseada em falência orgânica e complicações locais. O pilar do tratamento é a hidratação vigorosa precoce e suporte nutricional, preferencialmente por via enteral para manter a barreira intestinal e reduzir a translocação bacteriana. A diferenciação entre necrose estéril e infectada é crucial, sendo esta última frequentemente diagnosticada por gás na tomografia ou deterioração clínica, exigindo antibioticoterapia e, frequentemente, intervenção. A tendência atual é o manejo minimamente invasivo, postergando intervenções definitivas para permitir a delimitação da necrose (walled-off necrosis).
A intervenção cirúrgica, como a necrosectomia, está indicada primariamente na necrose pancreática infectada, especialmente quando há deterioração clínica. Em casos de necrose estéril, o tratamento deve ser conservador, a menos que haja complicações como obstrução de saída gástrica ou biliar persistente. O 'step-up approach' (drenagem percutânea seguida de necrosectomia minimamente invasiva, se necessário) é a estratégia preferencial atual para reduzir a morbimortalidade e complicações pós-operatórias.
Na pancreatite aguda biliar leve, a colecistectomia deve ser realizada na mesma internação, idealmente antes da alta, para prevenir a recorrência de eventos biliares. Em casos de pancreatite grave com coleções peripancreáticas, a cirurgia deve ser postergada por pelo menos 6 semanas até que a inflamação diminua e as coleções se organizem ou resolvam, evitando complicações técnicas e infecciosas durante o procedimento cirúrgico.
A CPRE não deve ser realizada de rotina na pancreatite biliar. Suas indicações precisas são: 1) Presença de colangite aguda associada; 2) Obstrução biliar persistente (icterícia progressiva ou persistente) evidenciada por exames laboratoriais ou de imagem. Se não houver colangite ou obstrução persistente, a CPRE precoce não traz benefícios e pode aumentar o risco de complicações como sangramento ou agravamento da pancreatite.
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