HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2026
Paciente do sexo masculino, 4 anos, com histórico de epilepsia em uso regular de ácido valproico há 8 meses, sem outras comorbidades, é levado ao pronto atendimento com queixa de dor abdominal epigástrica intensa há dois dias, associada a náuseas e vômitos. Ao exame físico, apresenta-se em regular estado geral, desidratado (2+/4+), com dor à palpação epigástrica, sem sinais de irritação peritoneal. Está afebril, anictérico, com padrão evacuatório preservado. Os exames laboratoriais revelam: TGO: 28 U/L (VR até 40); TGP: 30 U/L (VR até 41); amilase: 450 U/L (VR até 100); lipase: 650 U/L (VR até 60). Gama GT, bilirrubinas e transaminases normais. Considerando os achados clínicos e laboratoriais, qual é o diagnóstico mais provável?
Dor epigástrica + Lipase ↑↑ em usuário de Valproato → Pancreatite Aguda.
O ácido valproico é uma causa clássica de pancreatite aguda medicamentosa idiossincrática, devendo ser suspeitado em pacientes com dor abdominal e elevação de enzimas pancreáticas.
A pancreatite induzida por drogas é uma causa menos comum de inflamação pancreática, mas extremamente relevante na prática pediátrica e neurológica. O ácido valproico é um dos fármacos mais associados a essa condição. O quadro clínico mimetiza outras causas de pancreatite, com dor abdominal superior, náuseas e vômitos. O diagnóstico laboratorial é fundamental, priorizando-se a lipase por sua maior especificidade e meia-vida mais longa que a amilase. Uma vez diagnosticada, a conduta imediata inclui a suspensão definitiva do ácido valproico, hidratação venosa vigorosa, analgesia e monitorização de complicações. A reintrodução da droga é contraindicada devido ao alto risco de recorrência grave.
A pancreatite induzida pelo ácido valproico é considerada uma reação idiossincrática, o que significa que não depende necessariamente da dose administrada ou dos níveis séricos da droga. Pode ocorrer logo no início do tratamento ou após meses de uso estável, sendo mais comum em crianças e pacientes em politerapia com outros anticonvulsivantes.
O diagnóstico de pancreatite aguda requer pelo menos dois de três critérios: dor abdominal sugestiva (epigástrica irradiando para o dorso), evidência bioquímica (amilase ou lipase > 3 vezes o limite superior da normalidade) e/ou evidência em exames de imagem (TC ou RM). No caso clínico, a elevação acentuada da lipase e amilase confirma o diagnóstico.
O ácido valproico pode causar ambos. No entanto, a hepatotoxicidade geralmente se manifesta com elevação de transaminases (TGO/TGP) e icterícia. Quando o paciente apresenta dor abdominal intensa com transaminases normais, mas enzimas pancreáticas elevadas, o diagnóstico diferencial pende fortemente para a pancreatite aguda.
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