PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2023
Paciente de 42 anos é admitido no pronto socorro do Hospital Universitário Cajuru com queixa de dor abdominal. O paciente apresenta uma dor em região epigástrica, irradiada para o dorso. Você suspeita que o paciente está com um quadro de pancreatite aguda. Qual das informações abaixo sobre o quadro é CORRETA?
Maioria dos casos de pancreatite aguda é leve e autolimitada, com boa resposta ao tratamento de suporte.
A pancreatite aguda é uma condição inflamatória do pâncreas que, embora possa ser grave, na maioria das vezes (cerca de 80%) cursa de forma leve e se resolve com medidas de suporte, como hidratação venosa e analgesia. É fundamental reconhecer essa característica para um manejo adequado e evitar intervenções desnecessárias.
A pancreatite aguda é uma inflamação do pâncreas que pode variar de uma doença leve e autolimitada a uma condição grave e potencialmente fatal. As principais etiologias são litíase biliar e alcoolismo. A epidemiologia mostra uma incidência crescente, e o reconhecimento precoce é fundamental para o manejo adequado. A importância clínica reside na capacidade de identificar os casos graves que necessitam de intervenção intensiva. A fisiopatologia envolve a ativação prematura de enzimas pancreáticas, levando à autodigestão do órgão. O diagnóstico é clínico e laboratorial, com dor abdominal característica e elevação de amilase/lipase. Critérios como Ranson e APACHE II são utilizados para estratificação de risco, mas não para diagnóstico. A procalcitonina é um marcador de infecção bacteriana, não de pancreatite em si. É crucial entender que a maioria dos casos (cerca de 80%) é leve e autolimitada, sem necrose ou falência orgânica. O tratamento da pancreatite aguda leve é primariamente de suporte, com hidratação venosa agressiva, analgesia e jejum. A tomografia de abdome para prognóstico é mais útil após 72 horas do início dos sintomas para avaliar necrose. Níveis de hematócrito >44% ou queda >10% nas primeiras 24h são indicativos de gravidade. O prognóstico geral é bom para os casos leves, mas a mortalidade aumenta significativamente nos casos graves com falência orgânica ou necrose infectada.
O diagnóstico da pancreatite aguda requer dois de três critérios: dor abdominal característica (epigástrica, irradiada para o dorso), elevação de amilase e/ou lipase séricas em pelo menos três vezes o limite superior do normal, e achados característicos em exames de imagem (TC ou RM).
Os critérios de gravidade incluem escores como Ranson, APACHE II, ou BISAP. Sinais de alerta para gravidade são SIRS, falência orgânica, necrose pancreática (avaliada por imagem após 72h), e marcadores como PCR elevada. Hematócrito elevado ou em queda rápida, e aumento da ureia também são indicadores.
A tomografia de abdome não é necessária para o diagnóstico de pancreatite aguda na maioria dos casos. É indicada para avaliar complicações como necrose, pseudocistos ou coleções fluidas, idealmente após 72 horas do início dos sintomas, quando a necrose já está estabelecida e é mais bem visualizada.
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