TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2021
Considere que uma mulher de 45 anos de idade é internada com pancreatite aguda de etiologia indefinida. À admissão estava lúcida, nauseada, com dor abdominal intensa, desidratada e com hipotensão arterial, que foi prontamente revertida com infusão intravenosa de soro fisiológico. Havia discreto aumento da ureia, e a creatinina, os íons e a glicemia possuíam valores normais. Nenhum comprometimento pulmonar ou pleural foi identificado. Após 48 horas de internação com dieta oral suspensa, está afebril, sem dor e tem redução da ureia. Um plano de cuidado adequado para essa paciente, nesse momento inclui:
Melhora clínica na pancreatite leve → Reintroduzir dieta oral (baixa gordura) precocemente.
Na pancreatite aguda leve, a dieta deve ser reiniciada assim que o paciente estiver sem dor e com fome, preferindo-se inicialmente líquidos claros com baixo teor de gordura.
O manejo da pancreatite aguda evoluiu para priorizar a hidratação vigorosa inicial e a nutrição precoce. A manutenção do jejum prolongado está associada à atrofia da mucosa intestinal e translocação bacteriana, o que aumenta o risco de infecção da necrose. A paciente do caso apresenta sinais de pancreatite leve com rápida resposta à reposição volêmica (hipotensão revertida e melhora da função renal), justificando a conduta conservadora e o retorno da via oral. A ausência de febre e dor após 48 horas são indicadores clássicos de que a fase inflamatória aguda está cedendo.
A reintrodução da dieta deve ocorrer assim que houver melhora clínica significativa, caracterizada por ausência de dor abdominal intensa, ausência de náuseas/vômitos e presença de ruídos hidroaéreos (fome do paciente). Em casos de pancreatite leve, isso geralmente ocorre em 24 a 48 horas. Estudos mostram que o início precoce da dieta reduz o tempo de internação e as complicações infecciosas por manter a barreira intestinal íntegra.
Tradicionalmente, iniciava-se com dieta líquida clara. No entanto, evidências atuais sugerem que uma dieta sólida de baixa gordura é segura e bem tolerada como primeira refeição na pancreatite leve. O ponto crucial é o baixo teor lipídico para evitar a estimulação excessiva da secreção pancreática exócrina durante a fase de recuperação inicial.
Não. A antibioticoprofilaxia não é recomendada para prevenir a infecção da necrose pancreática, independentemente da gravidade da pancreatite ou da extensão da necrose. O uso de antibióticos deve ser reservado para casos de infecção confirmada ou suspeita clínica forte (ex: necrose infectada, colangite associada, infecções extrapancreáticas), visando evitar a resistência bacteriana.
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