Pancreatite Aguda Idiopática: Investigação e Diagnóstico

HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 39 anos de idade, internada em enfermaria por quadro de pancreatite aguda leve. Apresenta melhora clínica, com boa aceitação de dieta oral e bom controle de dor abdominal, afebril e anictérica, em investigação etiológica. Mantém elevação discreta de transaminases hepáticas, fosfatase alcalina e gama-glutamil transferase, porém sem elevação de bilirrubinas totais e frações. Realizou duas ultrassonografias abdominais nesta internação, que não visualizaram colelitíase ou dilatação de vias biliares. Nega história de ingestão alcoólica ou uso de medicações recentes e nega história pessoal ou familiar de pancreatites agudas recorrentes. Triglicerídeos e colesterol total sem alterações. De acordo com o quadro clínico descrito, assinale a alternativa que contém o exame que deverá ser realizado neste momento da investigação etiológica da pancreatite aguda:

Alternativas

  1. A) Ultrassonografia endoscópica
  2. B) Tomografia computadorizada de abdome
  3. C) Colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE)
  4. D) Ultrassonografia de abdome superior
  5. E) Endoscopia digestiva alta

Pérola Clínica

Pancreatite aguda idiopática com enzimas hepáticas alteradas → USG endoscópica para microlitíase/disfunção de Oddi.

Resumo-Chave

Em casos de pancreatite aguda sem etiologia clara após exames iniciais (USG abdominal, triglicerídeos, álcool, medicações), e com alterações discretas de enzimas hepáticas, a ultrassonografia endoscópica é crucial para investigar causas biliares ocultas, como microlitíase ou disfunção do esfíncter de Oddi, que podem não ser detectadas pela USG abdominal convencional.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda é uma inflamação do pâncreas que pode variar de leve a grave. A identificação da etiologia é fundamental para o manejo e prevenção de recorrências. As causas mais comuns incluem cálculos biliares e alcoolismo. No entanto, uma parcela significativa dos casos é inicialmente classificada como "idiopática" após a investigação inicial, o que exige uma abordagem diagnóstica mais aprofundada para evitar recorrências e complicações. Quando a ultrassonografia abdominal não revela colelitíase ou dilatação das vias biliares, e o paciente nega ingestão alcoólica ou uso de medicações, a investigação deve focar em causas biliares ocultas, como microlitíase ou disfunção do esfíncter de Oddi. A persistência de elevações discretas de transaminases, fosfatase alcalina e gama-glutamil transferase, mesmo sem hiperbilirrubinemia, é um forte indício de etiologia biliar. A ultrassonografia endoscópica (USE) é o exame de escolha nesse cenário, pois oferece alta sensibilidade para detectar cálculos biliares pequenos (microlitíase) ou alterações funcionais do esfíncter de Oddi que não são visíveis em outros exames de imagem. A USE permite uma visualização detalhada do pâncreas e das vias biliares, sendo superior à tomografia computadorizada ou ressonância magnética para a detecção de microlitíase. Uma vez identificada a causa, o tratamento pode ser direcionado, como a colecistectomia para microlitíase ou a esfincterotomia para disfunção do esfíncter de Oddi. A CPRE, por ser mais invasiva e com risco de pancreatite pós-CPRE, é geralmente reservada para casos terapêuticos ou quando há forte suspeita de obstrução biliar que necessite de intervenção imediata, e não como exame de primeira linha para investigação etiológica de pancreatite idiopática.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de pancreatite aguda idiopática?

A pancreatite aguda idiopática é um diagnóstico de exclusão. As causas mais comuns a serem investigadas incluem microlitíase biliar, disfunção do esfíncter de Oddi, hipertrigliceridemia leve, causas genéticas e autoimunes, e uso de certas medicações.

Quando a ultrassonografia endoscópica é indicada na pancreatite aguda?

A ultrassonografia endoscópica é indicada na pancreatite aguda quando a etiologia não é identificada após exames iniciais (USG abdominal, triglicerídeos, cálcio, etc.), especialmente se houver suspeita de microlitíase ou disfunção do esfíncter de Oddi, que são difíceis de visualizar por outros métodos.

Qual a diferença entre CPRE e USG endoscópica na investigação da pancreatite?

A USG endoscópica é um exame diagnóstico que permite visualizar estruturas biliares e pancreáticas com alta resolução, detectando microlitíase ou alterações do esfíncter de Oddi. A CPRE é um procedimento terapêutico e diagnóstico mais invasivo, com riscos maiores, reservado para casos de obstrução biliar confirmada ou para tratamento após o diagnóstico pela USE.

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