UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2019
Mulher, 34a, procurou o Pronto Socorro com queixa de dor epigástrica de forte intensidade há 1 dia, com irradiação para os flancos, associada a náusea, vômito, anorexia e febre. Refere diurese de cor bem escura. Antecedentes Pessoais: hipertensão arterial, uso de enalapril 10mg/dia, colecistopatia calculosa crônica. Exame físico: T=38,6°C, PA= 95x60 mmHg, FC= 116 bpm, FR= 20 irpm, consciente, desidratada ++/4+, icterícia +/4+; Abdome: dor a palpação profunda em epigástrio, descompressão brusca dolorosa ausente. A CONDUTA QUE PODE CONTRIBUIR PARA DIMINUIR AS COMPLICAÇÕES POSTERIORES É:
Pancreatite aguda grave com sinais de choque → USG VCI para guiar reposição volêmica e evitar complicações.
A paciente apresenta um quadro clínico sugestivo de pancreatite aguda grave (dor intensa, febre, taquicardia, hipotensão, desidratação, icterícia), provavelmente de origem biliar (colecistopatia calculosa). A hipotensão e taquicardia indicam hipovolemia e choque. A avaliação do diâmetro da veia cava inferior (VCI) por ultrassonografia é uma ferramenta rápida e não invasiva para guiar a ressuscitação volêmica, otimizando a infusão de fluidos e prevenindo tanto a sub-hidratação quanto a sobrecarga volêmica, que podem agravar a pancreatite.
A pancreatite aguda é uma inflamação do pâncreas que pode variar de leve a grave, com potencial para desenvolver complicações sistêmicas e falência de múltiplos órgãos. A etiologia mais comum é biliar (cálculos na vesícula biliar) ou alcoólica. O quadro clínico típico inclui dor epigástrica intensa, náuseas, vômitos e, em casos graves, sinais de resposta inflamatória sistêmica como febre, taquicardia e hipotensão. A paciente do caso apresenta um quadro sugestivo de pancreatite aguda grave, com sinais de hipovolemia e possível choque. A fisiopatologia da pancreatite aguda grave envolve a ativação prematura de enzimas pancreáticas, levando à autodigestão do pâncreas e à liberação de mediadores inflamatórios que causam extravasamento capilar, sequestro de fluidos para o terceiro espaço e hipovolemia. A icterícia sugere uma possível obstrução biliar, comum na pancreatite biliar. A conduta inicial em pacientes com pancreatite aguda grave e instabilidade hemodinâmica deve focar na ressuscitação volêmica agressiva para restaurar a perfusão e prevenir a necrose pancreática. Nesse contexto, a ultrassonografia para avaliar o diâmetro da veia cava inferior (VCI) é uma ferramenta valiosa. A VCI é um indicador dinâmico do estado volêmico e da responsividade a fluidos, permitindo guiar a reposição volêmica de forma mais precisa, evitando tanto a sub-hidratação (que piora a isquemia) quanto a sobrecarga volêmica (que pode levar a edema pulmonar e agravar a síndrome da resposta inflamatória sistêmica). Portanto, essa conduta contribui diretamente para diminuir as complicações posteriores, estabilizando o paciente antes de investigações etiológicas mais complexas.
Sinais de gravidade incluem hipotensão, taquicardia, oligúria, desidratação, disfunção orgânica (renal, respiratória) e marcadores inflamatórios elevados. A presença de choque é um indicativo claro de necessidade de reposição volêmica.
A USG da VCI permite avaliar de forma não invasiva o estado volêmico do paciente. Uma VCI colapsável sugere hipovolemia e responsividade a fluidos, guiando a ressuscitação volêmica e evitando tanto a sub-hidratação quanto a sobrecarga.
A ressuscitação volêmica precoce e agressiva é crucial para manter a perfusão tecidual, prevenir a isquemia pancreática e reduzir a incidência de necrose pancreática e outras complicações sistêmicas, diminuindo a morbimortalidade.
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