UNIFESO/HCTCO - Hospital das Clínicas de Teresópolis Costantino Ottaviano (RJ) — Prova 2020
Amanda, nascida e criada no berço do samba, sempre curtia os preparativos deste dia. Após a última feijoada de que participou, queixou-se de dor abdominal moderada seguida de náuseas e vômitos. Após a persistência do desconforto, preferiu procurar um serviço de emergência. No Pronto Atendimento foi avaliada; ao exame clínico, apresentava-se hemodinamicamente estável e afebril, com o aparelho cardiorrespiratório sem alterações, mas com o exame do abdome revelando peristalse presente, sendo o mesmo flácido e doloroso à palpação em hipocôndrito direito, com dor intensa a ponto de limitar a inspiração e que se irradiava para o ombro direito. Exames complementares foram solicitados, revelando o leucograma leucocitose com desvio para a esquerda e o hepatograma, elevação discreta das transaminases, da fosfatase alcalina e da bilirrubina total (à custa da fração direta). O exame de imagem, realizado na emergência, fechou a hipótese diagnóstica mais provável para o caso acima. Após 48 horas da abordagem inicial, Amanda foi submetida a tratamento cirúrgico. No pós-operatório, Amanda apresentou importante dor em andar superior do abdome, em barra, associada ao aparecimento de hematomas em região umbilical e flanco direito, sendo internada no CTI. A conduta seguinte foi conservadora, permanecendo a paciente internada por longo período. Após a alta hospitalar, foi acompanhada no ambulatório da Cirurgia Geral, não apresentando novas intercorrências. Em relação aos critérios de Atlanta para o diagnóstico de pancreatite aguda grave, marque a alternativa ERRADA.
Critérios de Atlanta para pancreatite grave: Choque (PAS < 90), IR (Cr > 2), IP (PaO2 < 60), HDA (> 500ml/24h). Sequestro de líquido > 6L, não 3L.
Os Critérios de Atlanta definem pancreatite aguda grave pela presença de falência orgânica ou complicações locais. A falência orgânica inclui choque (PAS < 90 mmHg), insuficiência pulmonar (PaO2 < 60 mmHg), insuficiência renal (creatinina > 2 mg/dL) e hemorragia digestiva (> 500 mL/24h). O sequestro de líquido é um critério de gravidade, mas o valor para ser considerado grave é > 6 litros, não 3 litros.
A pancreatite aguda é uma condição inflamatória do pâncreas que pode variar de leve a grave, com alta morbimortalidade. A classificação de gravidade é essencial para o manejo adequado e prognóstico do paciente. Os Critérios de Atlanta revisados (2012) são amplamente utilizados para essa estratificação. A pancreatite aguda grave é definida pela presença de falência orgânica persistente (duração > 48 horas) ou complicações locais. Os critérios de falência orgânica incluem choque (pressão sistólica < 90 mmHg), insuficiência pulmonar (PaO2 < 60 mmHg), insuficiência renal (creatinina sérica > 2 mg/dL) e hemorragia digestiva (> 500 mL/24 horas). Outros indicadores de gravidade, como o sequestro de líquido, são importantes, mas o ponto de corte para considerar um sequestro significativo é superior a 6 litros, não 3 litros, como erroneamente sugerido na questão. O reconhecimento precoce desses critérios permite uma intervenção mais agressiva, como suporte em CTI, otimização volêmica e manejo das complicações.
Os principais critérios incluem choque (pressão arterial sistólica < 90 mmHg), insuficiência pulmonar (PaO2 < 60 mmHg), insuficiência renal (creatinina sérica > 2 mg/dL) e hemorragia digestiva (> 500 mL/24 horas).
O sequestro de líquido reflete a intensa resposta inflamatória sistêmica e o extravasamento capilar, levando à hipovolemia e risco de choque, sendo um marcador de gravidade e necessidade de reposição volêmica agressiva.
Os critérios de Atlanta são fundamentais para estratificar a gravidade da pancreatite, guiar a conduta terapêutica (ex: internação em CTI, monitorização intensiva) e prever o prognóstico do paciente, otimizando o tratamento.
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