Pancreatite Aguda Grave: Manejo da Necrose Pancreática

UFPB/HULW - Hospital Universitário Lauro Wanderley - João Pessoa (PB) — Prova 2020

Enunciado

Um homem de 48 anos é admitido com dor em faixa no andar superior do abdômen e vômitos. A amilase sérica é de 1200 U/L. Quatro dias após a admissão, a TC mostra necrose em 50% do parênquima pancreático, com extensão para o parênquima peripancreático. Sobre o tratamento cirúrgico da necrose pancreática associada à pancreatite aguda, é incorreto afirmar:

Alternativas

  1. A) A pancreatite aguda grave é definida como a pancreatite aguda complicada por falência de órgãos persistentes (>48 horas) e ocorre em 15%-20% dos pacientes.
  2. B) Os pacientes com pancreatite aguda grave que desenvolvem falência orgânica dentro da fase precoce, correm um risco de 36% a 50% de morte.
  3. C) Paciente com indicativo de laparotomia exploradora precoce para desbridamento do pâncreas e drenagem da cavidade.
  4. D) Em pacientes sintomáticos - com necrose infectada, métodos minimamente invasivos de necrosectomia são preferíveis - à cirurgia convencional.
  5. E) Em paciente que tem pancreatite aguda grave, especialmente com necrose pancreática, a colecistectomia deverá ser retardada.

Pérola Clínica

Necrose pancreática infectada → preferir necrosectomia minimamente invasiva; laparotomia precoce é contraindicada.

Resumo-Chave

A laparotomia exploradora precoce para desbridamento pancreático na necrose estéril ou infectada é geralmente contraindicada devido à alta morbimortalidade. A conduta atual prioriza a abordagem minimamente invasiva e o retardo da intervenção cirúrgica até a delimitação da necrose.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda grave é uma condição séria, definida pela presença de falência de órgãos persistente (>48 horas), e ocorre em uma parcela significativa dos pacientes. A necrose pancreática é uma complicação comum, e quando infectada, aumenta substancialmente a morbimortalidade. O manejo desses pacientes é complexo e exige uma abordagem multidisciplinar. Historicamente, a laparotomia exploradora precoce para desbridamento era uma opção, mas estudos demonstraram que essa abordagem está associada a piores desfechos. A conduta atual preconiza uma abordagem conservadora inicial, com suporte intensivo. A intervenção cirúrgica, quando necessária para necrose infectada sintomática, deve ser postergada até que a necrose esteja bem delimitada (geralmente após 4 semanas). As técnicas minimamente invasivas, como a necrosectomia endoscópica transluminal ou a drenagem percutânea, são preferidas em relação à cirurgia aberta devido à menor morbidade. A colecistectomia em casos de pancreatite biliar deve ser retardada até a recuperação do episódio agudo, para evitar o risco de complicações adicionais em um paciente instável.

Perguntas Frequentes

Quando a necrose pancreática infectada deve ser tratada cirurgicamente?

O tratamento cirúrgico é indicado para necrose infectada sintomática, mas a abordagem deve ser retardada o máximo possível, idealmente após 4 semanas, para permitir a delimitação da necrose e reduzir a morbimortalidade.

Quais são as abordagens preferenciais para a necrosectomia?

Métodos minimamente invasivos, como a necrosectomia endoscópica ou percutânea, são preferíveis à cirurgia aberta convencional, especialmente em pacientes sintomáticos com necrose infectada.

Por que a colecistectomia é retardada em pacientes com pancreatite aguda grave de origem biliar?

A colecistectomia é retardada para evitar complicações adicionais em um paciente já gravemente enfermo. Ela deve ser realizada após a recuperação completa do episódio agudo, idealmente antes da alta hospitalar, para prevenir recorrências.

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