HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2022
Idoso apresenta dor epigástrica associada com náuseas e vômitos há 2 dias. Chegou na emergência desidratado, taquicárdico, PA 90/60mmHg com dor a palpação no andar superior de abdomen; distensão abdominal sem irritação peritoneal. Exames laboratoriais mostram hemoconcentração, 16.200 leucócitos (5 bastões), amilase 950mg/dl; lipase 570mg/dl; TGO 310 TGP 238 BT 1,0 BD 0,3 BI 0,7; glicose 307mg/dl. TC mostrou borramento da gordura peripancreática com 2 coleções liquidas, com 40-50% de intensidade de necrose. Podemos afirmar tartar-se de:
Pancreatite grave com necrose: suporte intensivo, SNE precoce, ATB SÓ se necrose infectada.
Este caso descreve uma pancreatite aguda grave, evidenciada por sinais de choque (hipotensão, taquicardia), hemoconcentração, leucocitose, hiperglicemia e necrose pancreática na TC. O manejo inclui ressuscitação volêmica agressiva, analgesia, antieméticos e, crucialmente, alimentação precoce via sonda nasoenteral, com antibióticos reservados apenas para casos de necrose infectada comprovada.
A pancreatite aguda é uma condição inflamatória do pâncreas que pode variar de leve a grave, com potencial para complicações sistêmicas e alta mortalidade. O diagnóstico é baseado na dor abdominal característica, elevação de amilase e/ou lipase séricas e achados de imagem. A identificação precoce da gravidade é crucial para o manejo adequado e para melhorar o prognóstico dos pacientes. O caso apresentado ilustra uma pancreatite aguda grave, com múltiplos fatores de risco e achados laboratoriais e de imagem que indicam extensa inflamação e necrose. A presença de hipotensão, taquicardia, hemoconcentração, leucocitose e necrose pancreática na tomografia são marcadores de gravidade. A fisiopatologia envolve a ativação precoce de enzimas pancreáticas dentro do próprio órgão, levando à autodigestão e resposta inflamatória sistêmica. O tratamento da pancreatite aguda grave é complexo e exige internação em unidade de terapia intensiva. Os pilares do manejo incluem ressuscitação volêmica agressiva, analgesia potente, controle de náuseas e vômitos, e suporte nutricional. A alimentação precoce, preferencialmente por via enteral, é fundamental para preservar a função intestinal. O uso de antibióticos é restrito aos casos de necrose infectada, evitando a profilaxia indiscriminada. A abordagem cirúrgica é reservada para complicações específicas, como necrose infectada que não responde ao tratamento clínico.
Indicadores de gravidade incluem sinais de choque (hipotensão, taquicardia), falência orgânica, hemoconcentração, leucocitose, hiperglicemia, e achados tomográficos como necrose pancreática e coleções líquidas. Escores como Ranson e APACHE II também auxiliam na avaliação.
A alimentação precoce, preferencialmente via sonda nasoenteral, é crucial na pancreatite aguda grave para manter a integridade da barreira intestinal, prevenir translocação bacteriana e reduzir a incidência de infecções e falência orgânica, sendo superior à dieta zero prolongada.
Antibióticos são indicados apenas na suspeita ou confirmação de necrose pancreática infectada, não sendo recomendados para profilaxia em necrose estéril. A cultura de material obtido por punção guiada por imagem pode confirmar a infecção.
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