FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2022
A pancreatite aguda é uma das etiologias mais comuns de abdome agudo nos atendimentos de urgência. Sobre essa patologia, é correto afirmar:
Pancreatite aguda grave: ↑ glicemia e ↓ calcemia são complicações metabólicas comuns.
Na pancreatite aguda grave, a disfunção pancreática e a resposta inflamatória sistêmica podem levar a alterações metabólicas significativas, como hiperglicemia (devido à disfunção das células beta e resistência à insulina) e hipocalcemia (pela saponificação de gorduras na necrose pancreática e liberação de ácidos graxos que se ligam ao cálcio).
A pancreatite aguda é uma condição inflamatória do pâncreas que pode variar de leve a grave, sendo uma das causas mais comuns de abdome agudo em serviços de urgência. As etiologias mais frequentes são a litíase biliar e o alcoolismo, mas outras causas como hipertrigliceridemia, medicamentos e trauma também são relevantes. É crucial para o residente compreender a fisiopatologia e as manifestações clínicas para um diagnóstico e manejo eficazes. A maioria dos casos de pancreatite aguda (cerca de 80%) é leve e autolimitada, com boa recuperação. No entanto, uma parcela dos pacientes desenvolve formas graves, caracterizadas por falência orgânica e complicações locais. Nessas formas graves, alterações metabólicas são comuns, incluindo hiperglicemia (devido à disfunção pancreática e resposta ao estresse) e hipocalcemia (resultante da saponificação de gorduras na necrose pancreática, onde o cálcio se liga a ácidos graxos). O monitoramento dessas alterações é vital para o manejo clínico. O tratamento da pancreatite aguda é primariamente de suporte, com hidratação venosa agressiva, analgesia e suporte nutricional. A necrosectomia pancreática, que é a remoção cirúrgica do tecido necrótico, é reservada para casos selecionados de necrose infectada que não respondem ao tratamento conservador, e não é a conduta na maioria dos casos. Critérios como os de Balthazar, Ranson e APACHE II são utilizados para classificar a gravidade e auxiliar no prognóstico, guiando a intensidade do tratamento e o monitoramento do paciente.
As duas principais etiologias da pancreatite aguda são a litíase biliar (cálculos na vesícula que obstruem o ducto biliar comum) e o consumo excessivo de álcool. Outras causas incluem hipertrigliceridemia, medicações, trauma, infecções e causas idiopáticas.
A hiperglicemia ocorre devido à disfunção das células beta do pâncreas, resistência à insulina e liberação de hormônios contrarreguladores. A hipocalcemia é causada pela saponificação de gorduras liberadas pela necrose pancreática, onde os ácidos graxos se ligam ao cálcio, formando sabões insolúveis e diminuindo o cálcio sérico disponível.
Os critérios de Balthazar (avaliados por tomografia computadorizada) são úteis para classificar a gravidade morfológica da pancreatite aguda, avaliando o grau de inflamação e a presença de necrose pancreática e coleções líquidas. Embora não prediga diretamente a mortalidade, um escore mais alto está associado a maior risco de complicações e pior prognóstico.
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