IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2021
Homem de 54 anos queixa-se de dor no andar superior do abdômen, muito intensa, há cerca de 5h, que apresenta piora após a alimentação e alívio parcial na posição sentada, associada a náuseas e vômitos. É etilista há 15 anos, ingere 2L de destilados ao dia, e a última ingestão foi na noite anterior. Desconhece ser portador de outras doenças. Ao exame físico, PA: 80x50mmHg, FC: 123bpm, FR: 22ipm, SpO2 96% (em ar ambiente), Tax: 39,1ºC. A palpação abdominal é dolorosa, há defesa voluntária e não há sinais de irritação peritoneal. O restante do exame não apresenta anormalidades. Exames de laboratório: Hg: 12g/dL, LG:22.450/µL, Neutrófilos segmentados:19.080/µL, Neutrófilos bastonetes: 1.380/µL, Plaquetas: 137.000/µL, PCR: 210mg/dL, Creatinina: 1,5mg/dL, Ureia: 65mg/dL, Lipase: 450U/L (VR<120 U/L), Amilase: 340U/L (VR<80U/L), AST: 20U/L (VR<35U/L), ALT: 27U/L (VR<35U/L), Bilirrubinas totais: 1,0mg/dL. Foi realizada ressuscitação volêmica com 1.500mL de cristaloides, infundidos ao longo de 45 minutos através de dois acessos venosos periféricos calibrosos. Em seguida, o paciente apresentou melhora do nível da consciência e da PA: 100 x 70mmHg. Assinale a alternativa MAIS ADEQUADA sobre o tratamento desse paciente nas primeiras 24h da assistência médica.
Pancreatite aguda grave: hidratação volêmica agressiva com Ringer Lactato é prioridade nas primeiras 24-48h.
O paciente apresenta um quadro de pancreatite aguda grave, com sinais de SIRS e hipovolemia. A ressuscitação volêmica agressiva, preferencialmente com Ringer Lactato, é a medida terapêutica mais importante nas primeiras 24-48 horas para prevenir complicações e melhorar o prognóstico, devendo ser mantida após o bolus inicial.
A pancreatite aguda é uma inflamação do pâncreas que pode variar de leve a grave, com alta morbimortalidade. O etilismo é uma das principais causas, como no caso apresentado. A apresentação clínica típica inclui dor abdominal intensa no andar superior, náuseas e vômitos, e elevação das enzimas pancreáticas (amilase e lipase). O manejo inicial da pancreatite aguda grave é crucial e foca na ressuscitação volêmica agressiva, analgesia e suporte nutricional. A hipovolemia é comum devido ao extravasamento de fluidos para o terceiro espaço e perdas gastrointestinais. A hidratação intravenosa vigorosa, preferencialmente com Ringer Lactato (250-500 mL/h), deve ser iniciada precocemente e mantida nas primeiras 24-48 horas para otimizar a perfusão tecidual e reduzir a incidência de necrose pancreática. Outras medidas incluem analgesia potente (opioides são seguros), jejum oral inicial com progressão para dieta enteral precoce se tolerado, e monitoramento rigoroso para identificar e tratar complicações como choque, insuficiência orgânica e infecção. Antibioticoterapia profilática não é recomendada rotineiramente.
A hidratação volêmica agressiva é crucial para combater a hipovolemia causada pelo extravasamento de fluidos para o terceiro espaço, melhorar a perfusão tecidual, reduzir a isquemia pancreática e prevenir a progressão para necrose e falência orgânica.
O Ringer Lactato é preferível por ter uma composição eletrolítica mais próxima do plasma e por conter lactato, que pode ter um efeito anti-inflamatório e reduzir a acidose, ao contrário do soro fisiológico que pode induzir acidose hiperclorêmica.
Critérios como os de Ranson, APACHE II, ou o escore de Balthazar na TC, além de sinais de falência orgânica (choque, insuficiência respiratória, renal, gastrointestinal) e marcadores inflamatórios como PCR elevada, indicam gravidade.
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