Pancreatite Aguda Grave: Manejo Inicial e Suporte

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2024

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 47 anos, com história de dor abdominal de forte intensidade, em faixa, súbita, associado a presença de sinal de Cullen há 2 dias. Apresenta-se no Prontosocorro (PS) com frequência cardíaca de 130 bpm, pressão arterial de 100 x 60 mmHg, obnubilado e com oligúria de 400ml/24h. Único dado comemorativo na sua história pregressa é o fato de ter dislipidemia familiar. Quanto a estratégia de tratamento do caso, assinale a alternativa correta

Alternativas

  1. A) O tratamento a princípio é conservador, com internação em unidade de terapia intensiva, controle da dor e medidas de suporte para controle das funções vitais.
  2. B) O uso da morfina no controle do quadro de dor é fundamental, devido a intensidade da dor e ao menor efeito causador de espasmo sobre o esfíncter de Oddi.
  3. C) A presença de oligúria contraindica o uso de drogas vasoativas como a dopamina, permanecendo a estratégia de expansão volêmica com soro fisiológico.
  4. D) A Nutrição Parenteral Total (NPT) é primordial como forma de suporte nutricional, considerando que não se deve utilizar o tubo digestivo para alimentação.
  5. E) A cobertura profilática de antibióticos com carbapenêmicos ou associação de ciprofloxacino e clindamicina está indicada mesmo sem sinais infecciosos.

Pérola Clínica

Pancreatite aguda grave com instabilidade hemodinâmica → UTI, suporte intensivo, controle da dor, tratamento conservador inicial.

Resumo-Chave

O paciente apresenta um quadro de pancreatite aguda grave (dor em faixa, sinal de Cullen, instabilidade hemodinâmica, oligúria, obnubilação). O tratamento inicial é conservador e de suporte intensivo, com internação em UTI para monitorização e estabilização das funções vitais, controle rigoroso da dor e reposição volêmica agressiva. A cirurgia é reservada para complicações específicas.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda é uma inflamação do pâncreas que pode variar de leve a grave, com alta morbimortalidade nos casos mais severos. O caso clínico descreve um paciente com dor abdominal intensa, sinal de Cullen (equimose periumbilical indicativa de hemorragia retroperitoneal), e sinais de choque (taquicardia, hipotensão, obnubilação, oligúria), configurando um quadro de pancreatite aguda grave. A dislipidemia familiar é um fator de risco para pancreatite aguda hipertrigliceridêmica. O tratamento da pancreatite aguda grave é predominantemente conservador e de suporte intensivo. A internação em uma unidade de terapia intensiva (UTI) é crucial para monitorização contínua e manejo agressivo da instabilidade hemodinâmica, disfunção orgânica e controle da dor. A reposição volêmica vigorosa com cristaloides é a pedra angular do tratamento inicial para combater a hipovolemia e a perfusão tecidual inadequada. O controle da dor é primordial, e opioides como a morfina são seguros e eficazes, não havendo evidências que contraindiquem seu uso devido a um suposto espasmo do esfíncter de Oddi. A nutrição enteral deve ser iniciada precocemente, se tolerada, pois é superior à nutrição parenteral total (NPT) na manutenção da integridade da barreira intestinal. A antibioticoprofilaxia não é recomendada de rotina, sendo reservada para casos de infecção comprovada ou necrose infectada. A cirurgia é indicada apenas para complicações específicas, como necrose infectada ou coleções que não respondem a outras abordagens.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de gravidade na pancreatite aguda?

Sinais de gravidade incluem instabilidade hemodinâmica (taquicardia, hipotensão), disfunção orgânica (oligúria, insuficiência respiratória), sinais de necrose (Cullen, Grey-Turner), e pontuações elevadas em sistemas como Ranson ou APACHE II.

Qual a importância do controle da dor na pancreatite aguda?

O controle adequado da dor é fundamental para o conforto do paciente e para evitar o estresse fisiológico. O uso de opioides, como a morfina, é seguro e eficaz, não havendo contraindicação pelo risco de espasmo do esfíncter de Oddi.

Quando a nutrição enteral é preferível à parenteral na pancreatite aguda?

A nutrição enteral é preferível e deve ser iniciada precocemente, se tolerada, pois mantém a integridade da barreira intestinal, reduz a translocação bacteriana e diminui o risco de complicações infecciosas em comparação com a nutrição parenteral total (NPT).

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