IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2025
Paciente masculino, 54 anos, apresenta dor abdominal intensa irradiada para o tórax e dorso, com intensidade 10/10, associada a náuseas, porém sem vômitos. Ao exame físico, encontra-se afebril, anictérico, com PA 166x121 mmHg, FC 78 bpm, abdome globoso, tenso, doloroso difusamente, com ruídos hidroaéreos diminuídos. Exames laboratoriais: Hb19,4 g/dL, leucócitos 21.930/mm³, creatinina 2,81 mg/dL, ureia 92 mg/dL; bilirrubina total 1,45 mg/dL, bilirrubina direta 0,38 mg/dL, fosfatase alcalina 49 U/L, GGT 37 U/L, amilase 2234 U/L, lipase 2984 U/L, PCR 44 mg/L (VR<1,0). Aferida pressão intrabdominal 17mmHg. Realizada tomografia computadorizada para diagnóstico diferencial e obtida a imagem abaixo: Considerando o diagnóstico do paciente, a conduta imediata deve ser:
Pancreatite aguda grave (dor intensa, leucocitose, ↑amilase/lipase, ↑PCR, ↑creatinina, hipertensão abdominal) = Expansão volêmica agressiva e suporte em UTI.
O paciente apresenta um quadro de pancreatite aguda grave (amilase e lipase muito elevadas, PCR alta, leucocitose, disfunção renal, hipertensão abdominal). A conduta inicial e mais importante é a ressuscitação volêmica agressiva para prevenir a isquemia e a necrose, além do monitoramento intensivo em UTI devido à gravidade.
A pancreatite aguda grave é uma condição inflamatória do pâncreas que pode levar a disfunção orgânica sistêmica e alta mortalidade. O diagnóstico é baseado em dor abdominal característica, elevação de amilase e/ou lipase séricas e achados de imagem. A gravidade é determinada por critérios clínicos (SIRS), laboratoriais (PCR, ureia, creatinina) e escores prognósticos (Ranson, APACHE II, BISAP). O manejo inicial da pancreatite aguda grave é predominantemente de suporte e focado na ressuscitação volêmica agressiva com cristaloides para manter a perfusão e prevenir a necrose pancreática. O paciente deve ser monitorado de perto em uma unidade de terapia intensiva (UTI) devido ao risco de choque, insuficiência respiratória, insuficiência renal e síndrome compartimental abdominal, que é indicada por uma pressão intrabdominal elevada. Outras medidas incluem analgesia adequada, suporte nutricional (preferencialmente enteral), e manejo de complicações. Antibióticos profiláticos não são recomendados rotineiramente. Intervenções cirúrgicas ou drenagens percutâneas são indicadas apenas para complicações específicas, como necrose infectada ou coleções sintomáticas, e geralmente não são a conduta imediata na fase aguda inicial.
Sinais de gravidade incluem disfunção orgânica (insuficiência renal, respiratória, cardiovascular), SIRS persistente, escores de gravidade elevados (Ranson, APACHE II, BISAP) e complicações locais como necrose extensa ou hipertensão abdominal.
A ressuscitação volêmica agressiva é crucial para manter a perfusão tecidual, prevenir a isquemia pancreática e a necrose, e reduzir a resposta inflamatória sistêmica. Deve ser iniciada precocemente e guiada por metas.
Intervenções cirúrgicas são geralmente reservadas para complicações específicas, como necrose infectada (após falha do tratamento conservador ou drenagem percutânea), síndrome compartimental abdominal refratária ou obstrução biliar persistente, e não são a conduta inicial.
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