Pancreatite Aguda Grave: Sinais de Alerta para Transferência Hospitalar

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021

Enunciado

Homem, 49 anos, com dor no andar superior do abdome, amilasemia de admissão de 2.460 U/dl (valor de referência até 160 U/dl), há 72 horas em tratamento com jejum, hidratação e analgesia em hospital de média complexidade, sem Unidade de Terapia Intensiva. As frequências cardíacas e respiratória estão em 106 batimentos e 26 incursões respiratórias por minuto, a amilasemia elevou-se para 4.280 U/dl, o hematócrito está em 55% (valor de referência de 36 a 46%), os glóbulos brancos de 16.000/ml (valor de referência de 4.000 a 10.000/ml), a ureia e creatinina, respectivamente, de 150 (valor de referência de 16 a 40 mg/dl) e 2,8 (valor de referência de 0,6 a 1,2 mg/dl), as bilirrubinas totais de 6,4 mg/dl (valor de referência de 0,2 a 1,0 mg/dl) e bilirrubina direta de 4,4 mg/dl. Após tomografia de abdome (que mostrou coleções peripancreáticas), foi solicitada a transferência para hospital terciário. Quais os achados que podem justificar o encaminhamento para o hospital terciário?

Alternativas

  1. A) A leucocitose, a hiperbilirrubinemia e a amilasemia.
  2. B) As coleções peripancreáticas, a amilasemia e a leucocitose.
  3. C) As coleções peripancreáticas e a hiperbilirrubinemia.
  4. D) A hemoconcentração e a azotemia.

Pérola Clínica

Pancreatite aguda: Hemoconcentração (Ht↑) e Azotemia (Ureia/Crea↑) indicam gravidade e falência orgânica, justificando UTI/transferência.

Resumo-Chave

A pancreatite aguda grave é caracterizada por falência orgânica e complicações locais. A hemoconcentração reflete desidratação e extravasamento capilar, enquanto a azotemia indica disfunção renal, ambos marcadores de gravidade que demandam manejo em ambiente de terapia intensiva.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda é uma inflamação do pâncreas que pode variar de leve a grave, com potencial para falência de múltiplos órgãos e alta mortalidade. O diagnóstico é baseado em dor abdominal característica, elevação de amilase/lipase e achados de imagem. A avaliação da gravidade é crucial para determinar o local e o nível de cuidado. Critérios de gravidade incluem sinais de resposta inflamatória sistêmica (SIRS) e, mais importante, evidências de falência orgânica (respiratória, renal, cardiovascular). A hemoconcentração (hematócrito elevado) na admissão ou que não melhora com a hidratação vigorosa é um marcador de desidratação e extravasamento capilar, associado a maior risco de necrose pancreática e pior prognóstico. A azotemia (elevação de ureia e creatinina) indica insuficiência renal aguda, uma das falências orgânicas mais comuns e graves na pancreatite. A presença de falência orgânica, como a insuficiência renal aguda evidenciada pela azotemia, e a hemoconcentração persistente, justificam a transferência para um hospital terciário com capacidade de terapia intensiva. Nesses ambientes, o paciente pode receber monitorização hemodinâmica avançada, suporte renal (se necessário) e manejo intensivo das complicações, otimizando as chances de recuperação.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios de gravidade na pancreatite aguda?

Os principais critérios de gravidade incluem sinais de resposta inflamatória sistêmica (SIRS), falência orgânica (respiratória, renal, cardiovascular), necrose pancreática e complicações locais como coleções e infecção.

Por que a hemoconcentração é um sinal de gravidade na pancreatite?

A hemoconcentração (hematócrito elevado) indica desidratação e extravasamento capilar para o terceiro espaço, refletindo a gravidade da inflamação sistêmica e associando-se a um maior risco de necrose pancreática e pior prognóstico.

Quando a insuficiência renal aguda indica pancreatite grave e necessidade de UTI?

A insuficiência renal aguda, evidenciada por azotemia (elevação de ureia e creatinina), é um sinal de falência orgânica e indica pancreatite grave, justificando a necessidade de monitorização e suporte em uma Unidade de Terapia Intensiva.

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