Pancreatite Aguda: Manejo da Necrose Pancreática Infectada

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2023

Enunciado

Em relação à pancreatite aguda, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) A CPRE está indicada em todos os casos de pancreatite aguda grave, mesmo sem evidência de coledocolitíase, pois a papilotomia ajuda na drenagem da bile.
  2. B) A passagem de sonda nasoenteral deve ser realizada precocemente na maioria dos casos para dar repouso ao pâncreas, mesmo em casos de pancreatite aguda leve.
  3. C) Nos pacientes com pancreatite aguda grave a via de alimentação preferencial é a nutrição parenteral total.
  4. D) Nas necroses pancreáticas infectadas, cujo diagnóstico é dado por PAAF, o tratamento é cirúrgico, enquanto em necroses estéreis o tratamento é conservador.
  5. E) Todos os pacientes devem ser tratados em unidade de terapia intensiva.

Pérola Clínica

Necrose pancreática infectada (PAAF +) → cirurgia; necrose estéril → tratamento conservador.

Resumo-Chave

A diferenciação entre necrose pancreática estéril e infectada é crucial para o manejo. Enquanto a necrose estéril é tratada conservadoramente, a necrose infectada, confirmada por PAAF, geralmente requer intervenção cirúrgica ou drenagem percutânea devido ao alto risco de sepse e mortalidade.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda é uma condição inflamatória do pâncreas que pode variar de leve a grave, com potencial para complicações sistêmicas e locais. A gravidade é determinada pela presença de falência orgânica e/ou complicações locais, como necrose pancreática. A etiologia mais comum é biliar ou alcoólica, mas outras causas devem ser investigadas. O manejo inicial foca em suporte intensivo, hidratação venosa agressiva e analgesia. Uma das complicações mais sérias é a necrose pancreática, que pode ser estéril ou infectada. A necrose infectada é associada a alta morbimortalidade e seu diagnóstico é crucial. A punção aspirativa por agulha fina (PAAF) guiada por imagem, com cultura do material aspirado, é o padrão-ouro para diferenciar necrose estéril de infectada. A suspeita de infecção surge com a deterioração clínica do paciente após a primeira semana de doença. O tratamento da necrose pancreática difere conforme a presença de infecção. A necrose estéril é manejada de forma conservadora, com suporte clínico e monitoramento. Já a necrose infectada, uma vez confirmada, geralmente requer intervenção para remoção do tecido necrótico, seja por necrosectomia cirúrgica (aberta, laparoscópica ou retroperitoneal) ou por drenagem percutânea, dependendo da extensão e localização da necrose. A nutrição enteral precoce é preferível à parenteral para manter a integridade da barreira intestinal.

Perguntas Frequentes

Quando a CPRE é indicada na pancreatite aguda?

A CPRE é indicada na pancreatite aguda biliar grave com colangite associada ou obstrução biliar persistente, geralmente nas primeiras 24-72 horas. Não é indicada rotineiramente em todos os casos graves sem evidência de coledocolitíase.

Qual a via de alimentação preferencial em pacientes com pancreatite aguda grave?

A nutrição enteral, preferencialmente por sonda nasoenteral ou nasojejunal, é a via de alimentação preferencial em pacientes com pancreatite aguda grave, pois mantém a integridade da barreira intestinal e reduz complicações em comparação com a nutrição parenteral total.

Como é feito o diagnóstico de necrose pancreática infectada e qual a conduta?

O diagnóstico de necrose pancreática infectada é feito por punção aspirativa por agulha fina (PAAF) guiada por imagem, com cultura positiva. O tratamento é cirúrgico (necrosectomia) ou drenagem percutânea, enquanto a necrose estéril é tratada conservadoramente.

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