UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2023
Em relação à pancreatite aguda, é correto afirmar:
Necrose pancreática infectada (PAAF +) → cirurgia; necrose estéril → tratamento conservador.
A diferenciação entre necrose pancreática estéril e infectada é crucial para o manejo. Enquanto a necrose estéril é tratada conservadoramente, a necrose infectada, confirmada por PAAF, geralmente requer intervenção cirúrgica ou drenagem percutânea devido ao alto risco de sepse e mortalidade.
A pancreatite aguda é uma condição inflamatória do pâncreas que pode variar de leve a grave, com potencial para complicações sistêmicas e locais. A gravidade é determinada pela presença de falência orgânica e/ou complicações locais, como necrose pancreática. A etiologia mais comum é biliar ou alcoólica, mas outras causas devem ser investigadas. O manejo inicial foca em suporte intensivo, hidratação venosa agressiva e analgesia. Uma das complicações mais sérias é a necrose pancreática, que pode ser estéril ou infectada. A necrose infectada é associada a alta morbimortalidade e seu diagnóstico é crucial. A punção aspirativa por agulha fina (PAAF) guiada por imagem, com cultura do material aspirado, é o padrão-ouro para diferenciar necrose estéril de infectada. A suspeita de infecção surge com a deterioração clínica do paciente após a primeira semana de doença. O tratamento da necrose pancreática difere conforme a presença de infecção. A necrose estéril é manejada de forma conservadora, com suporte clínico e monitoramento. Já a necrose infectada, uma vez confirmada, geralmente requer intervenção para remoção do tecido necrótico, seja por necrosectomia cirúrgica (aberta, laparoscópica ou retroperitoneal) ou por drenagem percutânea, dependendo da extensão e localização da necrose. A nutrição enteral precoce é preferível à parenteral para manter a integridade da barreira intestinal.
A CPRE é indicada na pancreatite aguda biliar grave com colangite associada ou obstrução biliar persistente, geralmente nas primeiras 24-72 horas. Não é indicada rotineiramente em todos os casos graves sem evidência de coledocolitíase.
A nutrição enteral, preferencialmente por sonda nasoenteral ou nasojejunal, é a via de alimentação preferencial em pacientes com pancreatite aguda grave, pois mantém a integridade da barreira intestinal e reduz complicações em comparação com a nutrição parenteral total.
O diagnóstico de necrose pancreática infectada é feito por punção aspirativa por agulha fina (PAAF) guiada por imagem, com cultura positiva. O tratamento é cirúrgico (necrosectomia) ou drenagem percutânea, enquanto a necrose estéril é tratada conservadoramente.
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