Pancreatite Aguda Grave: Reconhecimento e Critérios

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2023

Enunciado

Uma mulher de 38 anos de idade foi atendida no pronto-socorro por dor abdominal com 3 dias de evolução. Ao exame, estava desidratada, taquicárdica, taquipneica e com muita dor à palpação do andar superior do abdome. Amilase de entrada: 1.300 UI/L; leucócitos: 19.000/mm³; creatinina: 1,9 mg/dL. PCR: 383 mg/L. A gasometria de entrada mostrava acidose metabólica e hipoxemia. Está oligúrica. Pressão intra-abdominal: 10 mmHg. A propósito do quadro desta paciente, é correto afirmar: 

Alternativas

  1. A) Tem síndrome compartimental, com indicação de peritoniostomia.
  2. B) Está indicada tomografia precoce.
  3. C) Trata-se de pancreatite aguda de origem biliar.
  4. D) Tem indicação de necrosectomia de urgência.
  5. E) Trata-se de pancreatite aguda grave.

Pérola Clínica

Pancreatite Aguda Grave = SIRS + falência orgânica (oligúria, hipoxemia, creatinina ↑).

Resumo-Chave

A paciente apresenta múltiplos sinais de gravidade, como taquicardia, taquipneia, leucocitose, PCR e creatinina elevadas, acidose metabólica, hipoxemia e oligúria, que configuram falência orgânica e Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica (SIRS), indicando um quadro de pancreatite aguda grave.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda é uma condição inflamatória do pâncreas que pode variar de leve a grave, com potencial de morbimortalidade significativa. A gravidade é determinada pela presença de falência orgânica e/ou complicações locais. O reconhecimento precoce da pancreatite aguda grave é crucial para instituir um manejo adequado e melhorar o prognóstico do paciente, sendo um tema de alta relevância em emergências e provas de residência. A paciente do caso apresenta múltiplos sinais de gravidade, como taquicardia, taquipneia, leucocitose, PCR e creatinina elevadas, acidose metabólica, hipoxemia e oligúria. Esses achados indicam a presença de Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica (SIRS) e falência de múltiplos órgãos (renal e respiratória), classificando o quadro como pancreatite aguda grave. A amilase elevada confirma o diagnóstico de pancreatite. O manejo da pancreatite aguda grave envolve suporte intensivo, ressuscitação volêmica vigorosa, analgesia, suporte nutricional e monitorização contínua. A tomografia precoce não é rotineiramente indicada, sendo reservada para casos de dúvida diagnóstica ou deterioração clínica após 72 horas. A necrosectomia é um procedimento cirúrgico para necrose infectada e não é uma indicação de urgência na fase inicial. A síndrome compartimental abdominal é uma complicação possível, mas a pressão intra-abdominal de 10 mmHg não a configura.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios para definir pancreatite aguda grave?

A pancreatite aguda grave é definida pela presença de falência orgânica (respiratória, renal, cardiovascular) persistente por mais de 48 horas, ou pela presença de necrose pancreática infectada. Critérios como SIRS, escores de gravidade (Ranson, APACHE II, BISAP) e marcadores inflamatórios (PCR) também auxiliam na avaliação.

Quando a tomografia computadorizada é indicada na pancreatite aguda?

A tomografia computadorizada com contraste é indicada após 72 horas do início dos sintomas para avaliar a extensão da necrose e a presença de coleções, ou mais precocemente se houver dúvida diagnóstica, deterioração clínica ou suspeita de complicações. Não é indicada de rotina na admissão.

Qual a conduta inicial para um paciente com pancreatite aguda grave?

A conduta inicial inclui ressuscitação volêmica agressiva com cristaloides, analgesia potente, suporte nutricional (preferencialmente enteral), monitorização intensiva e manejo das falências orgânicas. Antibióticos profiláticos não são recomendados, mas são indicados em caso de necrose infectada.

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