UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2021
Paciente do sexo masculino, 52 anos, dá entrada na emergência com quadro de dor abdominal e vômitos há 12 horas. Nega hipertensão, diabetes, tabagismo ou etilismo. Os sintomas iniciaram após um final de semana de exageros alimentares. No exame físico, frequência cardíaca de 110 bpm, dor de moderada intensidade na palpação do epigastro, irradiando em faixa para as costas, descompressão brusca negativa, Bloomberg negativo e Murphy negativo. Hemograma revela 17.000 leucócitos e 1500 de amilase, 800 de lipase. Sobre a hipótese diagnóstica e a conduta na emergência, nesse caso, é correto afirmar que:
Necrose infectada pancreática exige desbridamento cirúrgico; abscesso pancreático pode ser tratado percutaneamente.
Na pancreatite aguda grave, é crucial diferenciar necrose infectada de abscesso pancreático. A necrose infectada, uma complicação grave, geralmente requer desbridamento cirúrgico, enquanto o abscesso pode ser manejado com drenagem percutânea, devido às suas características patológicas distintas.
A pancreatite aguda é uma inflamação do pâncreas que pode variar de leve a grave, com potencial para complicações sistêmicas e locais. As causas mais comuns são litíase biliar e etilismo. A apresentação clínica típica inclui dor abdominal intensa no epigastro, irradiando em faixa para as costas, acompanhada de náuseas e vômitos. O diagnóstico é confirmado pela elevação de amilase e lipase séricas e achados de imagem. Em casos de pancreatite aguda grave, podem surgir complicações locais como coleções fluidas, pseudocistos, necrose estéril ou infectada e abscessos. A distinção entre necrose infectada e abscesso pancreático é crucial para o manejo. A necrose infectada é uma condição grave que ocorre quando o tecido pancreático necrótico é colonizado por bactérias, levando a uma alta morbimortalidade. O abscesso pancreático, por sua vez, é uma coleção de pus bem delimitada, geralmente resultante da liquefação de necrose ou infecção de um pseudocisto. O tratamento da pancreatite aguda é inicialmente de suporte, com hidratação venosa agressiva, analgesia e jejum. Em casos de necrose infectada, a intervenção é frequentemente necessária, seja por desbridamento cirúrgico (necrosectomia) ou abordagens minimamente invasivas (endoscópicas ou percutâneas). Abscessos pancreáticos, se sintomáticos, podem ser tratados com drenagem percutânea. A escolha da conduta depende da extensão da necrose, da presença de infecção e da condição clínica do paciente, sendo um desafio complexo na prática médica.
O abscesso pancreático é uma coleção circunscrita de pus, geralmente bem delimitada, que pode ser tratada com drenagem percutânea. A necrose infectada, por outro lado, é a infecção de tecido pancreático necrótico e peripancreático, sendo uma condição mais difusa e grave que frequentemente exige desbridamento cirúrgico.
A intervenção cirúrgica, como o desbridamento, é geralmente indicada na pancreatite aguda grave com necrose infectada documentada, especialmente se houver falha da terapia conservadora ou deterioração clínica. Abscessos podem ser tratados com drenagem percutânea antes de considerar cirurgia.
Os principais marcadores são a amilase e a lipase séricas, que se elevam significativamente (geralmente 3 vezes o limite superior da normalidade) nas primeiras horas após o início dos sintomas. A lipase é considerada mais específica e sensível que a amilase para o diagnóstico de pancreatite aguda.
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