Pancreatite Aguda Grave: Critérios de Ranson e Nutrição Enteral

Multivix - Faculdade Multivix Vitória (ES) — Prova 2022

Enunciado

J.L.A, 56 anos, tabagista e etilista de longa data, dá entrada no hospital com dor intensa em andar superior do abdome e vômitos. Foram identificados níveis elevados de amilase e lipase. Os demais exames laboratoriais demonstraram glicemia = 230mg/dL, desidrogenase lática = 300UI/L, TGO = 300UI/L, TGP = 320UI/L, hemoglobina = 12g/dL, leucócitos = 17.500 cels/mm³ e plaquetas = 180.000/mm³. Assinale a alternativa correta com relação ao caso apresentado.

Alternativas

  1. A) O paciente apresenta quadro de pancreatite aguda grave e deverá receber tratamento nutricional com preferência para a nutrição enteral em relação à nutrição parenteral.
  2. B) Por se tratar de um caso grave de pancreatite aguda, o paciente deverá ser tratado com dieta zero por pelo menos 7 dias, hidratação vigorosa com solução balanceada e antibioticoterapia.
  3. C) Neste momento ainda não é possível definir a gravidade do quadro, mas o paciente apresenta pancreatite aguda e deverá receber tratamento com hidratação, analgesia e dieta zero.
  4. D) Após 48 horas da admissão, deverão ser avaliados os critérios de RANSON para definição da gravidade do quadro, caso apresente sinais de gravidade, deverá então ser internado em UTI.

Pérola Clínica

Pancreatite aguda grave (Ranson ≥3) → Nutrição enteral precoce preferível à parenteral.

Resumo-Chave

O paciente apresenta pancreatite aguda grave pelos critérios de Ranson na admissão (idade >55, leucocitose, hiperglicemia, TGO elevada). Em casos de pancreatite aguda grave, a nutrição enteral precoce é a via preferencial, pois mantém a integridade da barreira intestinal e reduz complicações infecciosas, sendo superior à dieta zero prolongada ou nutrição parenteral.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda é uma condição inflamatória do pâncreas que pode variar de leve a grave, com alta morbimortalidade nos casos mais severos. O etilismo e a litíase biliar são as causas mais comuns. O diagnóstico é estabelecido pela presença de dois dos três critérios: dor abdominal característica, elevação de amilase e/ou lipase em pelo menos três vezes o limite superior da normalidade, e achados de imagem compatíveis. A avaliação da gravidade é crucial para o manejo. Os critérios de Ranson são amplamente utilizados, sendo que 3 ou mais critérios na admissão já indicam pancreatite aguda grave. No caso apresentado, o paciente preenche 4 critérios (idade >55, leucocitose, hiperglicemia, TGO elevada), confirmando a gravidade. A hidratação vigorosa com cristaloides é a pedra angular do tratamento inicial, juntamente com analgesia adequada. No que tange à nutrição, a dieta zero prolongada não é mais recomendada para pancreatite aguda grave. A nutrição enteral precoce (nas primeiras 24-48 horas) é a via preferencial, pois mantém a integridade da barreira intestinal, previne a translocação bacteriana e reduz o risco de complicações infecciosas e mortalidade, sendo superior à nutrição parenteral. A antibioticoterapia profilática não é indicada, sendo reservada para casos de necrose infectada.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de Ranson para avaliar a gravidade da pancreatite aguda?

Os critérios de Ranson são avaliados na admissão e após 48 horas. Na admissão, incluem idade >55 anos, leucócitos >16.000, glicemia >200 mg/dL, LDH >350 UI/L e TGO >250 UI/L. Após 48h, incluem queda do hematócrito >10%, aumento do BUN >5 mg/dL, cálcio <8 mg/dL, PO2 <60 mmHg, déficit de base >4 mEq/L e sequestro de fluidos >6 L.

Qual a importância da nutrição enteral precoce na pancreatite aguda grave?

A nutrição enteral precoce (nas primeiras 24-48 horas) é crucial na pancreatite aguda grave porque ajuda a manter a integridade da barreira intestinal, previne a translocação bacteriana, reduz a resposta inflamatória sistêmica e diminui a incidência de complicações infecciosas e a mortalidade, sendo superior à nutrição parenteral.

Quando a antibioticoterapia é indicada na pancreatite aguda?

A antibioticoterapia profilática não é recomendada na pancreatite aguda. Seu uso é restrito a casos de pancreatite necrosante infectada, confirmada por cultura de material obtido por punção ou por sinais clínicos de sepse e evidência radiológica de necrose.

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