Pancreatite Aguda Grave: Reconheça a Disfunção Orgânica

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2022

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 42 anos, com histórico de colelitíase, apresentou quadro de dor em hipocôndrio direito, tipo cólica, que rapidamente se tornou constante e intensa, migrando para todo o andar superior do abdome, há cerca de 6 horas, associada a vômitos, sendo internada no serviço de pronto atendimento. Seu abdome era globoso, doloroso à palpação profunda do andar superior, sem irritação peritoneal. Na investigação laboratorial, observou-se hiperamilasemia de 2.350mg/dl. Foi mantida em dieta zero com hidratação venosa e analgesia potente e evoluiu após 48 horas com manutenção da dor e dos vômitos, distensão abdominal, sinais clínicos de desidratação moderada e hipotensão, taquipnéia, acidose metabólica à gasometria arterial e elevação da contagem de leucócitos e das titulações de uréia e creatinina séricas. Bilirrubinas, gama GT e fosfatase alcalina normais. Sobre o caso descrito, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) A nutrição parenteral é mais efetiva no tratamento desta paciente que a nutrição enteral, principalmente no que se refere a profilaxia da translocação bacteriana e diminuição da mortalidade.
  2. B) Há clara evolução para choque séptico, estando indicado o início de Imipenem e laparotomia para desbridamento do foco infeccioso.
  3. C) O paciente provavelmente preencherá critérios no score de Marshall para disfunção persistente de órgãos, evidenciando evolução grave, estando indicada terapia intensiva com tratamento de suporte.
  4. D) Devido a provável evolução com abscesso retroperitoneal, a tomografia está indicada neste momento, confirmando a indicação de laparotomia urgente para esta paciente.

Pérola Clínica

Pancreatite aguda com disfunção orgânica persistente (Marshall) = grave, requer UTI e suporte.

Resumo-Chave

A paciente apresenta pancreatite aguda biliar com sinais de gravidade e disfunção orgânica progressiva (hipotensão, taquipneia, acidose metabólica, elevação de ureia/creatinina, leucocitose). Essa evolução indica uma pancreatite aguda grave, que provavelmente preencherá critérios para disfunção orgânica persistente pelo escore de Marshall, necessitando de terapia intensiva e suporte.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda é uma condição inflamatória do pâncreas que varia de leve a grave, com potencial para falência de múltiplos órgãos e alta mortalidade. Sua etiologia mais comum é biliar (colelitíase) ou alcoólica. A identificação precoce da gravidade é crucial para o manejo adequado e para melhorar o prognóstico dos pacientes. A fisiopatologia da pancreatite aguda grave envolve a ativação prematura de enzimas pancreáticas, levando à autodigestão do pâncreas e à liberação de mediadores inflamatórios sistêmicos. Isso pode resultar em uma síndrome de resposta inflamatória sistêmica (SIRS) e, subsequentemente, em disfunção ou falência de órgãos distantes. O escore de Marshall é uma ferramenta validada para avaliar a disfunção orgânica (respiratória, renal, cardiovascular) e determinar a gravidade da pancreatite, sendo a disfunção persistente por mais de 48 horas um marcador de pancreatite aguda grave. O tratamento da pancreatite aguda grave é predominantemente de suporte em terapia intensiva, com foco na hidratação venosa agressiva, analgesia potente, suporte nutricional (preferencialmente enteral precoce) e monitoramento rigoroso da função orgânica. A intervenção cirúrgica é reservada para complicações específicas, como necrose infectada ou perfuração. O reconhecimento precoce dos sinais de gravidade e a implementação de medidas de suporte adequadas são pilares para a redução da morbimortalidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais indicadores de gravidade na pancreatite aguda?

Indicadores de gravidade incluem sinais de resposta inflamatória sistêmica (SIRS), falência orgânica (respiratória, renal, cardiovascular), necrose pancreática e coleções peripancreáticas infectadas. Escore de Marshall e Ranson são ferramentas úteis.

O que significa disfunção orgânica persistente na pancreatite aguda e como o escore de Marshall a avalia?

Disfunção orgânica persistente é a falência de um ou mais órgãos que dura mais de 48 horas. O escore de Marshall avalia disfunção respiratória, renal e cardiovascular, atribuindo pontos para cada sistema com base em parâmetros como PaO2/FiO2, creatinina e pressão arterial sistólica.

Qual a importância da nutrição enteral na pancreatite aguda grave?

A nutrição enteral precoce é preferível à nutrição parenteral na pancreatite aguda grave, pois ajuda a manter a integridade da barreira intestinal, reduz a translocação bacteriana e diminui o risco de complicações infecciosas, além de ser mais fisiológica e econômica.

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