Pancreatite Aguda Grave: Sinais Clínicos e Complicações

HSM - Hospital Santa Marta (DF) — Prova 2020

Enunciado

Professora de 40 anos de idade apresenta-se no hospital com início súbito de dor abdominal intensa tipo pontada, com irradiação para o dorso esquerdo, associada a náuseas e vômitos iniciados há 24 horas, com fatores de alívio em se sentar e inclinar-se para a frente, e fatores de agravo em decúbito dorsal. Ela nega o uso de álcool e não fuma. Possui diabetes tipo 2 em metformina e obesidade centrípeta. Ela é G2P2A0. Ao exame físico, encontra-se anictérica, acianótica, com palidez e sudorese fria, IMC = 40; PA = 80 mmHg x 40 mmHg, FC = 110/minuto, FR = 25 irpm, Tax = 38,5 ºC, SatO2 = 88%. Ao exame abdominal, constatam-se presença de equimoses em flanco esquerdo associado a região periumbilical, sensibilidade difusa em todo o abdome no exame abdominal, Blumberg negativo. RHA estão ausentes. Acerca desse caso clínico e tendo em vista os conhecimentos médicos relativos à pancreatite aguda (PA), assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Pacientes com pancreatite grave podem apresentar febre, taquipneia, hipoxemia e hipotensão. Em 3% dos pacientes com PA, pode-se observar descoloração equimótica na região periumbilical (sinal de Cullen ou ao longo do flanco (sinal de Gray Turner.
  2. B) Muitos medicamentos têm sido associados à PA, sendo comum a associação do uso de metformina e PA, que é provável etiologia do paciente.
  3. C) A paciente apresenta o diagnóstico de PA, conforme critérios de Ransom para o qual dois critérios maiores estejam presentes: dor abdominal sugestiva de pancreatite; uma elevação da amilase sérica ou lipase sérica três vezes acima do normal; e evidência de TC ou RM consistente com pancreatite.
  4. D) De acordo com a classificação de Atlanta, a paciente apresenta um quadro de PA edematosa intersticial, caracterizada por inflamação aguda do parênquima pancreático e dos tecidos peripancreáticos, com necrose tecidual reconhecível.
  5. E) O sistema de pontuação para prever a gravidade da PA com base em parâmetros clínicos, laboratoriais, radiológicos e marcadores séricos, mais utilizado em PA é o escore de APACHE II; devem ser usados na admissão e após 48 horas do diagnóstico.

Pérola Clínica

Pancreatite grave → sinais sistêmicos (febre, hipotensão, hipoxemia) + equimoses (Cullen/Gray Turner).

Resumo-Chave

A pancreatite aguda grave pode cursar com instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia), insuficiência respiratória (hipoxemia, taquipneia) e sinais cutâneos de hemorragia retroperitoneal, como os sinais de Cullen (periumbilical) e Gray Turner (flancos), indicando necrose pancreática extensa.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda (PA) é uma condição inflamatória do pâncreas que pode variar de leve a grave, com potencial para complicações sistêmicas e alta mortalidade. O diagnóstico precoce e a avaliação da gravidade são cruciais para o manejo adequado. A dor abdominal intensa, epigástrica, com irradiação para o dorso, que melhora ao inclinar-se para frente, é um sintoma clássico. A paciente do caso apresenta um quadro de PA grave, evidenciado pela instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia), insuficiência respiratória (hipoxemia, taquipneia), febre e, notavelmente, os sinais de Cullen e Gray Turner. Estes últimos são manifestações raras (3% dos casos), mas patognomônicas de hemorragia retroperitoneal extensa devido à necrose pancreática, indicando um prognóstico reservado. A avaliação da gravidade da PA é feita por critérios clínicos (como os de Ranson ou APACHE II), laboratoriais e de imagem. A classificação de Atlanta (revisada) categoriza a PA em leve, moderadamente grave e grave, baseada na presença de falência orgânica e complicações locais. O tratamento é de suporte, com fluidoterapia agressiva, analgesia e manejo das complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de gravidade na pancreatite aguda?

Sinais de gravidade incluem instabilidade hemodinâmica (hipotensão, choque), insuficiência respiratória (hipoxemia, taquipneia), insuficiência renal, disfunção neurológica, hemorragia gastrointestinal e sinais cutâneos como Cullen e Gray Turner.

O que indicam os sinais de Cullen e Gray Turner na pancreatite aguda?

Os sinais de Cullen (equimose periumbilical) e Gray Turner (equimose nos flancos) indicam hemorragia retroperitoneal e necrose pancreática extensa, sendo marcadores de pancreatite aguda grave e de mau prognóstico.

Quais são os critérios diagnósticos para pancreatite aguda?

O diagnóstico de pancreatite aguda requer a presença de dois dos três critérios: dor abdominal sugestiva, elevação da amilase ou lipase sérica (pelo menos 3x o limite superior do normal) e achados de imagem (TC ou RM) consistentes com pancreatite.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo